{"id":10403,"date":"2023-06-28T01:01:58","date_gmt":"2023-06-28T04:01:58","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=10403"},"modified":"2023-06-28T22:23:43","modified_gmt":"2023-06-29T01:23:43","slug":"qiapn-entenda-como-novas-letras-da-sigla-lgbt-reforcam-busca-por-representatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=10403","title":{"rendered":"QIAPN+: entenda como novas letras da sigla LGBT refor\u00e7am busca por representatividade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sigla come\u00e7ou pequena e cercada por tabus. At\u00e9 meados de 1990, a combina\u00e7\u00e3o&nbsp;<strong>GLS<\/strong>&nbsp;era usada para reunir&nbsp;gays, l\u00e9sbicas e simpatizantes da causa homossexual. Anos mais tarde come\u00e7ou a mudar e se transformou em&nbsp;<strong>LGBT<\/strong>, dando visibilidade tamb\u00e9m aos&nbsp;bissexuais, transexuais e travestis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo veio o&nbsp;<strong>mais<\/strong>, s\u00edmbolo matem\u00e1tico que j\u00e1 apontava o que estava por vir. E veio. Nos \u00faltimos anos, a busca pelo reconhecimento fez com que a nomenclatura crescesse e&nbsp;hoje ela ganha espa\u00e7o com quase 10 letras:&nbsp;<strong>LGBTQIAPN+<\/strong>&nbsp;<em>(entenda a sigla, letra a letra, abaixo)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a soci\u00f3loga Stela Cristina de Godoi, da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais da PUC-Campinas, a transforma\u00e7\u00e3o reflete as mudan\u00e7as sociais e, principalmente, a\u00a0constante luta por representatividade. No\u00a0<strong>Dia do Orgulho LGBT+<\/strong>, celebrado nesta quarta-feira (28). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente n\u00e3o pode simplesmente enxergar como um r\u00f3tulo, uma etiqueta que a gente coloca na testa das pessoas. Nem as pessoas precisam responder a essa demanda de dizer o que \u00e9, se classificar, se rotular. N\u00e3o se trata disso. \u00c9 importante o surgimento dessas novas nomenclaturas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe surgiram, \u00e9 resultado de uma demanda de indiv\u00edduos e de grupo que n\u00e3o estavam confort\u00e1veis dentro das nomenclaturas anteriores e que precisam ser respeitados na sua diversidade, no seu direito a existir tal como s\u00e3o, fora dos r\u00f3tulos, da normatiza\u00e7\u00e3o e da patologia\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Letra a letra: sexo, g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sigla da comunidade busca representar diferentes grupos por sua diversidade, como explica Stela. A primeira \u00e9 sobre&nbsp;<strong>sexo biol\u00f3gico<\/strong>, que diz respeito \u00e0s caracter\u00edsticas f\u00edsicas e tudo que envolve o corpo. Inclui feminino, masculino e intersexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seguida est\u00e1 a&nbsp;<strong>identidade de g\u00eanero<\/strong>, que fala sobre como nos identificamos enquanto seres psicossociais. Neste caso, entram feminino, masculino, entre outros. Por \u00faltimo entra a&nbsp;<strong>orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/strong>, que reflete sobre as pessoas com quem nos relacionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Juntos, esses tr\u00eas fatores atualmente est\u00e3o distribu\u00eddos da seguinte forma:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>L &#8211; l\u00e9sbicas:&nbsp;<\/strong>pessoas que se identificam como femininas e se relacionam com outras do mesmo g\u00eanero;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>G &#8211; gays:<\/strong>&nbsp;pessoas que se identificam como masculinas e se relacionam com outras do mesmo g\u00eanero;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>B &#8211; bissexuais:<\/strong>&nbsp;pessoas que se relacionam com os g\u00eaneros femininos e masculinos;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>T &#8211; transexuais e travestis:<\/strong>&nbsp;pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero atribu\u00eddo no nascimento;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Q &#8211; queer:<\/strong>&nbsp;pessoas que n\u00e3o se identificam com os padr\u00f5es impostos pela sociedade e que preferem n\u00e3o se limitar em um \u00fanico g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>I &#8211; intersexo:<\/strong>&nbsp;pessoas que possuem caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas dos sexos feminino e masculino ao mesmo tempo;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>A &#8211; assexuais:<\/strong>&nbsp;pessoas que n\u00e3o t\u00eam atra\u00e7\u00e3o sexual; n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o com falta de libido, quest\u00f5es biol\u00f3gicas ou de ordem psicol\u00f3gica, como traumas;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>P &#8211; pansexuais:<\/strong>&nbsp;pessoas que se relacionam com outras de todos os g\u00eaneros, incluindo femininos, masculinos e n\u00e3o-bin\u00e1rios;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>N &#8211; n\u00e3o bin\u00e1rios:<\/strong>&nbsp;pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero feminino ou masculino, podendo se identificar com mais de um ou nenhum.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depois do &#8216;Q&#8217;: teoria queer trouxe novas possibilidades<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda metade da sigla \u00e9 recente. Ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos cinco anos. Por\u00e9m, a soci\u00f3loga explica que tudo o que vem depois do&nbsp;<strong>&#8216;Q&#8217;<\/strong>&nbsp;\u00e9 resultado de um estudo que come\u00e7ou nos Estados Unidos em 1980. \u201cA&nbsp;<strong>teoria queer<\/strong>, de certo modo, cria uma nova forma de interpretar o desejo, a sexualidade, o processo biopsicossocial diante de uma perspectiva nova\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a no\u00e7\u00e3o de que as abordagens de sexo, g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o parte de um fen\u00f4meno social, at\u00e9 ent\u00e3o, preso a um certo formato, a teoria entendeu que \u201cas chamadas &#8216;minorias sexuais&#8217;, ficaram estigmatizadas ou por uma ideia marginalizante ou desviante, como aquilo que n\u00e3o \u00e9 normal, que escapa da compreens\u00e3o de normalidade. A teoria queer faz essa cr\u00edtica\u201d, comenta Stela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 como se cada letra da comunidade LGBT tivesse sido deixada em uma caixa, quadrada e fechada, que n\u00e3o dava abertura para novas possibilidades. Para piorar, ainda as definia como algo que estava \u00e0 margem da sociedade e que n\u00e3o era parte dela. Para a especialista, a teoria queer \u201cfoi um marco importante, que abriu a possibilidade para novas nomeclatura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse conhecimento veio a conclus\u00e3o de que essas identidades podem ser fluidas. Isto \u00e9, nem todo mundo precisa estar limitado ao feminino ou ao masculino, por exemplo. \u201cIntersexual, assexual, pansexual, n\u00e3o sexual e o mais, s\u00e3o desdobramentos dessa cr\u00edtica \u00e0 ideia de normalidade\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as nomenclaturas sejam importantes para que as pessoas da comunidade se sintam representadas,&nbsp;a professora e doutora da PUC lembra que elas n\u00e3o podem ser vistas apenas como um gloss\u00e1rio. \u00c9 muito mais do que isso. Do ponto de vista da sociologia, s\u00e3o marcadores que ajudam a regular o funcionamento de institui\u00e7\u00f5es sociais, como o casamento e a fam\u00edlia, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTodas essas ideias s\u00e3o muito mais do que s\u00f3 ideias ou sentimentos individuais. Elas ganharam ao longo da hist\u00f3ria uma consist\u00eancia maior no sentido de prescrever determinadas formas de conduta \u00e0s quais os indiv\u00edduos devem obedecer para estar incluindo e ser funcional. Essa \u00e9 uma perspectiva mais funcionalista, que \u00e9 muito comum no pensamento sociol\u00f3gico e ajuda a entender as nomenclaturas LGBT\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exatamente por se tratar de uma constru\u00e7\u00e3o social, a comunidade LGBTQIAPN+ est\u00e1 sempre aberta \u00e0s novas formas de diversidade. Isso explica o surgimento de novas letras e at\u00e9 mesmo a mudan\u00e7a das que j\u00e1 existem. Stela cita como exemplo a pr\u00f3pria compreens\u00e3o de feminino e masculino, que mudaram e continuam mudando h\u00e1 s\u00e9culos. \u201cEsses marcadores sociais sempre mudaram. N\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno da contemporaneidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 importante destacar que n\u00e3o se trata apenas de a gente construir defini\u00e7\u00f5es para um gloss\u00e1rio de termos que explique o que \u00e9 cada uma dessas letras na sigla. L\u00f3gico que isso \u00e9 importante tamb\u00e9m para que as pessoas entendam as diferentes identidades, quem s\u00e3o as pessoas por tr\u00e1s dessas siglas\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Avan\u00e7o que permite que Fah Moraes, pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria, entenda a pr\u00f3pria identidade, por exemplo. Morando em Campinas e presidindo a Uni\u00e3o Nacional LGBT no Estado de S\u00e3o Paulo,&nbsp;viveu um processo longo at\u00e9 perceber que n\u00e3o era apenas homossexual, mas que tamb\u00e9m vivia a diversidade em seu g\u00eanero. Hoje atua para que essa informa\u00e7\u00e3o chegue mais longe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMe sentia em busca de algo. N\u00e3o sabia que era sobre minha exist\u00eancia. Uma pessoa trans n\u00e3o-bin\u00e1ria \u00e9 uma pessoa que rompe com esses r\u00f3tulos que o feminino e masculino entregam. O que eu proponho \u00e9 que n\u00e3o exista mais esses mundos. Que a gente entenda que existam v\u00e1rias formas de conceber, de estar na sociedade\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe reconhecer uma pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria dentro do que a gente est\u00e1 chamando de direitos humanos LGBTQIAPN+ \u00e9 dar visibilidade para as exist\u00eancias. Eu acho muito gratificante, desde que me conhe\u00e7o como uma pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria, \u00e9 revolucion\u00e1rio s\u00f3 por ser. A gente est\u00e1 dizendo que n\u00e3o cabe esse sistema cisnormativo\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>(OGlobo)<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sigla come\u00e7ou pequena e cercada por tabus. 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