{"id":10914,"date":"2023-07-25T11:32:39","date_gmt":"2023-07-25T14:32:39","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=10914"},"modified":"2023-07-25T11:32:21","modified_gmt":"2023-07-25T14:32:21","slug":"so-metade-das-escolas-publicas-tem-projetos-antirracistas-aponta-ong","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=10914","title":{"rendered":"S\u00f3 metade das escolas p\u00fablicas t\u00eam projetos antirracistas, aponta ONG"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje universit\u00e1ria, a brasiliense Nathalia Maciel, de 19 anos, que se identifica como mulher negra, acostumou-se a ouvir em sala de aula sobre her\u00f3is e hero\u00ednas brancos e feitos de europeus que chegaram ao Brasil. Estudou o ensino fundamental e m\u00e9dio em escola p\u00fablica na regi\u00e3o administrativa de Santa Maria, a 40 km do centro da capital. \u201cSentia falta de saber sobre pessoas negras, que s\u00f3 eram citadas em 20 de novembro (dia da Consci\u00eancia Negra). As pessoas s\u00f3 faziam para ganhar nota nas mat\u00e9rias\u201d, lamenta.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1545305&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1545305&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da estudante sobre a falta de projetos que valorizem a diversidade e enfrentem problemas como o racismo pode ser constatada em n\u00fameros. Segundo levantamento da ONG Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, apenas metade (50,1%) das escolas p\u00fablicas do pa\u00eds tiveram a\u00e7\u00f5es contra o racismo em 2021, ano em que foi feita a \u00faltima pesquisa do Sistema Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb).<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que, naquele ano, o total de escolas p\u00fablicas com projetos para combater racismo, machismo e homofobia caiu ao menor patamar em 10 anos. Os dados utilizados foram extra\u00eddos dos question\u00e1rios contextuais do Saeb destinados a diretores e diretoras escolares, entre 2011 a 2021.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Falhas<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Daniela Mendes, analista de pol\u00edticas educacionais do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, contextualiza que quando quest\u00f5es raciais e de g\u00eanero n\u00e3o s\u00e3o trabalhadas dentro das escolas, o ensino falha tanto no processo de aprendizagem dos alunos quanto na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor, com menos viol\u00eancia e menos desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO impacto que esses dados nos mostram n\u00e3o \u00e9 apenas educacional. As viol\u00eancias sofridas nas escolas podem ser tanto f\u00edsicas e verbais quanto simb\u00f3licas com insinua\u00e7\u00f5es e constrangimentos que tornam o ambiente escolar um espa\u00e7o hostil para determinados grupos. Isso tem um impacto na evas\u00e3o escolar\u201d, afirmou Daniela Mendes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Coloniza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o que analisa a pesquisadora Gina Vieira, professora da rede p\u00fablica no Distrito Federal e com projetos premiados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade em sala de aula, a escola no Brasil n\u00e3o promove a diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA escola brasileira, assim como o projeto de coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, trabalha na l\u00f3gica da homogeneiza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos um curr\u00edculo racista e uma educa\u00e7\u00e3o racista. N\u00f3s temos um curr\u00edculo oficial que ainda conta a hist\u00f3ria oficial que \u00e9 contada na perspectiva do homem branco europeu\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que s\u00e3o raros os materiais pedag\u00f3gicos diversos que incorporem as vozes dos povos historicamente exclu\u00eddos. \u201cA gente est\u00e1, por exemplo, comemorando 20 anos da Lei 10.639 [que inclui Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira no curr\u00edculo escolar], que \u00e9 resultado da luta hist\u00f3rica do movimento negro pelo direito da hist\u00f3ria da \u00c1frica e de pessoas negras em di\u00e1spora\u201d. Ela cita que as leis n\u00e3o s\u00e3o o suficiente para mudan\u00e7a de perspectivas, mas sim uma mudan\u00e7a cultural e de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cComo diz o Drummond, os l\u00edrios n\u00e3o nascem por for\u00e7a da lei\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em&nbsp;queda<\/h2>\n\n\n\n<p>A quantidade de escolas com projetos atentos \u00e0 diversidade come\u00e7ou a cair a partir do ano de 2015, quando o \u00edndice havia chegado ao maior patamar no per\u00edodo: 75,6%. Desde ent\u00e3o, os n\u00fameros despencaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de racismo, a atua\u00e7\u00e3o contra homofobia e machismo est\u00e1 na menor parte das escolas brasileiras. Em 2011, por exemplo, 34,7% das escolas relataram ter a\u00e7\u00f5es. Em 2017, o \u00edndice chegou a 43,7%. Mas, tamb\u00e9m caiu nos anos seguintes. Em 2021, representava apenas 25,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Daniela Mendes, analista de pol\u00edticas educacionais do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, o avan\u00e7o de uma pauta ultraconservadora nos \u00faltimos anos, os impactos da pandemia e a falta de coordena\u00e7\u00e3o nacional durante a \u00faltima gest\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o foram fatores que podem ter influenciado o cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Gina Vieira, cabe \u00e0 sociedade estar mobilizada para cobrar uma escola antirracista e contra machismo e homofobia. \u201cA gente precisa recha\u00e7ar com toda for\u00e7a essa perspectiva que a gente viveu nos \u00faltimos quatro anos entre o professor e a escola representados como inimigos da sociedade. Como algu\u00e9m que devo fiscalizar, denunciar, gravar e achincalhar. Um pa\u00eds que n\u00e3o valoriza a educa\u00e7\u00e3o, a escola e os educadores est\u00e1 fadado ao retrocesso\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Provid\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p>Em nota \u00e0 reportagem, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o garantiu que tem trabalhado para modificar esse cen\u00e1rio desde o in\u00edcio da atual gest\u00e3o. A primeira a\u00e7\u00e3o foi a recria\u00e7\u00e3o da Secadi (Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclus\u00e3o). \u201cUma pasta que j\u00e1 se configura como uma a\u00e7\u00e3o afirmativa, na qual tem em sua estrutura a Diretoria de Pol\u00edticas de Educa\u00e7\u00e3o \u00c9tnico-racial Educa\u00e7\u00e3o Escolar Quilombola, um instrumento institucional para formular, articular e executar as pol\u00edticas voltadas para a implementa\u00e7\u00e3o da Lei 10.639\/03\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, segundo MEC, foi retomada a forma\u00e7\u00e3o de professores a partir do apoio financeiro \u00e0s universidades e relan\u00e7ado o Programa de Desenvolvimento Acad\u00eamico Abdias Nascimento, que fomenta a pesquisa na gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u201cOutra iniciativa resgatada foi a Cadara, a comiss\u00e3o de assessoramento do MEC formada por entes federais e sociedade civil. Ainda h\u00e1 um longo caminho pela frente, mas hoje a Secadi est\u00e1 empenhada em garantir recursos para que no pr\u00f3ximo ano possa investir ainda mais em a\u00e7\u00f5es de combate ao racismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ingridy, que \u00e9 uma adolescente negra, de 15 anos, tamb\u00e9m moradora de Bras\u00edlia, e estudante de escola p\u00fablica, uma escola preocupada com diversidade e disposta a n\u00e3o ser homog\u00eanea seria fundamental tamb\u00e9m para o dia a dia. E isso parece uma aula simples. \u201cAjudaria a combater o preconceito e promoveria o respeito e a aceita\u00e7\u00e3o na escola\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>(EBC &#8211; Foto: Sumaia Vilela)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje universit\u00e1ria, a brasiliense Nathalia Maciel, de 19 anos, que se identifica como mulher negra,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10915,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[],"class_list":["post-10914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10914"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10916,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10914\/revisions\/10916"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}