{"id":15638,"date":"2024-05-20T00:03:25","date_gmt":"2024-05-20T03:03:25","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=15638"},"modified":"2024-05-20T00:05:19","modified_gmt":"2024-05-20T03:05:19","slug":"parte-da-tragedia-no-rio-grande-do-sul-foi-causada-por-acao-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=15638","title":{"rendered":"Parte da trag\u00e9dia no Rio Grande do Sul foi causada por a\u00e7\u00e3o humana"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Entre as a\u00e7\u00f5es, pesquisador cita constru\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de alagamento<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parte da trag\u00e9dia que atingiu&nbsp;446 munic\u00edpios ga\u00fachos foi causada pela a\u00e7\u00e3o do homem, que construiu em locais onde n\u00e3o deveria construir, em \u00e1reas de alagamento, e n\u00e3o fez as manuten\u00e7\u00f5es corretas nos diques de conten\u00e7\u00e3o e nas barreiras anti-alagamento.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1595289&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1595289&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do&nbsp;professor Roberto Reis, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o da Biodiversidade da Escola de Ci\u00eancias da Sa\u00fade e da Vida da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Ele acrescentou&nbsp;que essas obras, feitas nos anos 1970, nunca receberam manuten\u00e7\u00e3o adequada. \u201cA culpa da enchente \u00e9 do planeta. Mas a culpa da trag\u00e9dia \u00e9 dos administradores do estado e das cidades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Reis afirmou que Porto Alegre \u00e9 \u00e1rea de v\u00e1rzea, de conflu\u00eancia de rios na beira do Lago Gua\u00edba, que alaga sempre que tem enchente. \u201c\u00c9 natural. A gente \u00e9 que n\u00e3o deveria ter constru\u00eddo na \u00e1rea que alaga periodicamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor, a cada dois ou tr\u00eas anos h\u00e1&nbsp;alagamentos em Porto Alegre s\u00f3 que, desta vez, foi extremamente severo. \u201cNunca foi t\u00e3o alto\u201d. Ele explicou que n\u00e3o h\u00e1 como evitar que haja cheias no Gua\u00edba. \u201cMas que haja enchente, h\u00e1 como evitar, fazendo bem feito os diques de conten\u00e7\u00e3o e tudo o mais\u201d. A manuten\u00e7\u00e3o ou reconstru\u00e7\u00e3o dos diques e barragens nos rios do estado \u00e9 a sa\u00edda apontada pelo professor da PUCRS para evitar que novas trag\u00e9dias voltem a ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Reis lembrou que, em setembro do ano passado, o estado enfrentou grande enchente. \u201cA\u00ed se viu que as comportas e parte dos diques n\u00e3o estavam funcionando. Era hora de ter arrumado. Foi uma mega-enchente. A grande veio agora. Dever\u00edamos ter arrumado tudo de setembro para c\u00e1. Espero que desta vez aprendam, porque o custo est\u00e1 sendo muito alto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Roberto Reis, chuva em excesso, causada por mudan\u00e7a clim\u00e1tica, \u00e9 fen\u00f4meno natural. \u201cA cada tempo, h\u00e1&nbsp;chuvas extremas que causam enchentes\u201d, completou. Desta vez, contudo, ocorreu no estado a enchente mais forte de toda a hist\u00f3ria, que ele atribui, em parte, \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica causada pelo excesso de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera. \u201cEssa \u00e9 a parte natural do evento\u201d. O resto, para ele, \u00e9 a\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Volume de chuvas<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor Rodrigo Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o que est\u00e1 provocando a grande cheia no Lago Gua\u00edba \u00e9, basicamente, um volume muito grande de chuvas que cai na bacia do Gua\u00edba&nbsp;desde o final de abril e in\u00edcio de maio. Essa precipita\u00e7\u00e3o atingiu n\u00edveis recordes, registrando, em alguns locais, at\u00e9 800 mil\u00edmetros.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista explicou \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;que, no primeiro momento, houve cheias bem r\u00e1pidas nos rios da serra, onde existem vales mais encaixados em que os volumes de \u00e1gua correm rapidamente e os rios se elevam com rapidez&nbsp;e grande amplitude. \u201cH\u00e1&nbsp;casos de 20 metros de eleva\u00e7\u00e3o em menos de um dia. Isso causou muita destrui\u00e7\u00e3o, por exemplo, no Vale do Taquari, de novo\u201d. Essa regi\u00e3o sofreu grandes enchentes em setembro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Paiva acrescentou&nbsp;que esse volume de \u00e1gua&nbsp;chega depois \u00e0 regi\u00e3o de plan\u00edcie, onde&nbsp;se espalha pelas v\u00e1rzeas e escoa mais lentamente. \u201cPor isso, demora alguns dias entre a chuva na bacia hidrogr\u00e1fica e todo esse escoamento chegar a&nbsp;Porto Alegre, ao Lago Gua\u00edba\u201d. Desde o dia 5 de maio, observou-se um n\u00edvel muito elevado do rio, atingindo recorde de 5,3 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do corpo d\u2019\u00e1gua bem grande do Lago Gua\u00edba, tem a Laguna dos Patos, destacou o professor da UFRGS. Pelo fato de esses corpos d\u2019\u00e1gua terem \u00e1rea superficial grande, eles est\u00e3o sujeitos aos ventos. \u201cQuando a gente tem um vento sul, isso ainda pode promover um represamento dessa \u00e1gua e uma eleva\u00e7\u00e3o da ordem de 20 cent\u00edmetros, ou at\u00e9 mais, se o vento for muito forte. Isso tamb\u00e9m ajuda um pouco na cheia do Lago Gua\u00edba, embora o fator principal seja o grande volume das chuvas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dura\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica do&nbsp;evento \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o, disse Rodrigo Paiva. A longa dura\u00e7\u00e3o para baixar o n\u00edvel do lago \u00e9 associada \u00e0 dificuldade de a \u00e1gua escoar nesses rios de plan\u00edcie, o Jacu\u00ed especialmente. \u201cA \u00e1gua fica muito parada naquelas v\u00e1rzeas\u201d. O professor do IPH comentou que, por outro lado, \u00e9 interessante porque, se n\u00e3o houvesse as v\u00e1rzeas, o volume de \u00e1gua que vem das montanhas chegaria muito mais rapidamente \u00e0 Grande Porto Alegre e, talvez com mais for\u00e7a e mais amplitude. \u201cSe n\u00e3o houvesse essas v\u00e1rzeas, que j\u00e1 atuam como um reservat\u00f3rio natural que atenua as cheias, talvez o n\u00edvel da \u00e1gua tivesse subido em Porto Alegre muito mais&nbsp;e mais r\u00e1pido tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias seriam tamb\u00e9m piores, admitiu o professor. Porque a regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre est\u00e1 em \u00e1rea\u00a0muito baixa, afetando cidades como Eldorado e\u00a0Canoas. \u201cAs consequ\u00eancias seriam maiores. A inunda\u00e7\u00e3o \u00e9 grande, a\u00a0profundidade, em alguns locais, atinge\u00a0um metro ou dois metros, mas n\u00e3o h\u00e1\u00a0tanta velocidade da \u00e1gua. J\u00e1 no vale, no Rio Taquari, como a profundidade \u00e9 maior e \u00e9 mais inclinado, a a\u00e7\u00e3o da \u00e1gua \u00e9 mais destrutiva, capaz de destruir resid\u00eancias, arrastar coisas\u201d, salientou Paiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>(EBC &#8211; Foto: Adriano Machado)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as a\u00e7\u00f5es, pesquisador cita constru\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de alagamento Parte da trag\u00e9dia que atingiu&nbsp;446&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15639,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,71],"tags":[],"class_list":["post-15638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15638"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15638\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15640,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15638\/revisions\/15640"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}