{"id":17018,"date":"2024-08-23T12:40:46","date_gmt":"2024-08-23T15:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=17018"},"modified":"2024-08-23T12:41:09","modified_gmt":"2024-08-23T15:41:09","slug":"em-meio-a-ultima-turne-do-sepultura-andreas-kisser-fala-de-vida-sem-alcool-e-finitude-apos-perda-da-mulher-a-morte-tem-sido-minha-professora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=17018","title":{"rendered":"Em meio \u00e0 \u00faltima turn\u00ea do Sepultura, Andreas Kisser fala de vida sem \u00e1lcool e finitude ap\u00f3s perda da mulher: \u2018A morte tem sido minha professora\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>Com shows no Rio e em SP, roqueiro diz que pensa em reunir ex-integrantes em \u00faltimo show: &#8216;Se vai rolar, a\u00ed depende de muita coisa&#8217;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na impressionante multid\u00e3o de 125 mil pessoas que acompanhou o show do Kiss, no Est\u00e1dio do Morumbis, na Zona Sul paulistana, em 1983, um adolescente teria um destino luminoso na cena do heavy metal global \u2014 e foi profundamente inspirado por aquele dia. Trata-se de Andreas Kisser, um garoto de 14 anos que morava no ABC Paulista e experimentava, naquele momento, o estudo do viol\u00e3o. Quatro anos depois da apresenta\u00e7\u00e3o, Kisser (que tem este nome de batismo, apesar da coincid\u00eancia) debutaria como guitarrista no ainda jovem Sepultura, banda que ganhou uma at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita fama global, percorreu 80 pa\u00edses e encerrar\u00e1 as atividades em uma turn\u00ea que se inicia neste 2024 e ter\u00e1 f\u00f4lego at\u00e9 2026. O quarteto passa pelo Rio, na Farmasi Arena, no pr\u00f3ximo dia 31, e por S\u00e3o Paulo, no Espa\u00e7o Unimed, entre 6 e 8 de setembro (com os dois primeiros dias esgotados).<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do fim partiu de Kisser, que em 2022&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/noticia\/2022\/07\/morre-a-produtora-patricia-perissinotto-mulher-de-andreas-kisser-do-sepultura.ghtml\">enfrentou a morte da esposa, Patr\u00edcia Perissinotto, aos 52 anos,<\/a>&nbsp;devido a um c\u00e2ncer. A partida da companheira instalou novos pensamentos no artista, que passou a defender publicamente que o pa\u00eds avance em discuss\u00f5es sobre eutan\u00e1sia, por exemplo. Em entrevista ao GLOBO, pouco antes de ensaiar com os companheiros de banda Paulo Jr. (um dos primeiros membros), Derrick Green e Greyson Nekrutman, Kisser falou sobre o amor pela m\u00fasica, os desafios inaugurados pelo fim da banda (o que inclui a sa\u00edda do baterista Eloy Casagrande \u00e0s v\u00e9speras do in\u00edcio da turn\u00ea de adeus) e do que aprendeu com o luto: \u201cA morte tem sido minha maior professora\u201d. Confira os principais trechos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-oglobo.glbimg.com\/3nFZtX6-25qhEReBSHXmwLZ_-yw=\/0x0:905x494\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8\/internal_photos\/bs\/2023\/N\/y\/1UYHm9QUagg75nyuVaQA\/screenshot-5.png\" alt=\"Sepultura nos tempos de \u201cArise\u201d (1991): Andreas Kisser, Max Cavalera, Paulo Xisto e Iggor Cavalera. Hoje, Andreas e Paulo levam o grupo adiante, enquanto os irm\u00e3os Cavalera formaram o Cavalera Conspiracy e fazem quest\u00e3o de regravar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o do antigo repert\u00f3rio do Sepultura \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sepultura nos tempos de \u201cArise\u201d (1991): Andreas Kisser, Max Cavalera, Paulo Xisto e Iggor Cavalera. Hoje, Andreas e Paulo levam o grupo adiante, enquanto os irm\u00e3os Cavalera formaram o Cavalera Conspiracy e fazem quest\u00e3o de regravar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o do antigo repert\u00f3rio do Sepultura \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Come\u00e7o do fim<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cNo dia 1\u00ba de mar\u00e7o (quando come\u00e7ou a turn\u00ea), foi um show muito significativo na carreira. Muita coisa aconteceu ali. Teve a sa\u00edda do Eloy (Casagrande, baterista que deixou a banda para integrar o Slipknot) tr\u00eas semanas antes. Foi preciso organizar tudo com Greyson (novo baterista), os ensaios. Houve aquela ansiedade do primeiro show. Era tamb\u00e9m o anivers\u00e1rio de um amigo querido, que tinha falecido meses antes. Foi uma data cheia de significados. Greyson fez um trabalho maravilhoso em pegar as m\u00fasicas. Eu mesmo j\u00e1 toquei com muita gente diferente e, nessa carreira, a gente aprende a fazer adapta\u00e7\u00f5es. Nunca chegamos para ele e dissemos que deveria tocar como o Eloy, ou o Igor (Cavalera, que deixou a banda em 2006) ou o Jean (Dollabella, que saiu do Sepultura em 2011). Vamos deixar acontecer. Estamos prontos para acabar, no melhor momento, e curtir at\u00e9 o final.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobriedade<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cA estreia da turn\u00ea tamb\u00e9m marcou um ciclo de quatro anos desde que parei de beber. Isso aconteceu ap\u00f3s um churrasco de fam\u00edlia, em um \u2018sabad\u00e3o\u2019. Eu estava tomando u\u00edsque, cerveja, normal. Mas tem aqueles dias em que as coisas s\u00e3o diferentes. Eu comecei a chutar os cachorros, n\u00e3o literalmente, passei a jogar merda no ventilador. Totalmente fora de controle. Acabei voltando a p\u00e9 pra casa, ao mesmo tempo alucinado, b\u00eabado, mas s\u00f3brio. Comecei a falar comigo. Pensei: \u2018O \u00e1lcool est\u00e1 fazendo as escolhas pra voc\u00ea.\u2019 Cheguei a n\u00e3o ir \u00e0 Disney com minha fam\u00edlia porque n\u00e3o tinha cerveja l\u00e1. N\u00e3o tive problemas f\u00edsicos com a bebida, tanto que quando decidi parar eu consegui. Mas era uma rotina beber no hotel, no aeroporto, camarim, s\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 assim pra todo mundo. Gene Simmons, do Kiss, por exemplo, nunca bebeu. Decidi parar, mas \u00e0s vezes tomo cerveja zero.\u201d <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Luto<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cA morte tem sido minha maior professora. Muito do que vivo tem a ver com respeitar mudan\u00e7as de ciclos, a finitude. Parte desses fins a gente escolhe, como \u00e9 o caso do Sepultura. Mas tem os que voc\u00ea n\u00e3o escolheu, como o caso do c\u00e2ncer da Patr\u00edcia. A morte \u00e9 um elefante na sala, que ningu\u00e9m fala nesse pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 conversas sobre eutan\u00e1sia, suic\u00eddio assistido, testamento vital, cuidado paliativo. Acho que atrav\u00e9s da morte, como \u00e9 o nome da turn\u00ea do Sepultura (Celebrating life through death: do ingl\u00eas celebrando a vida atrav\u00e9s da morte), voc\u00ea encontra a vida. Patr\u00edcia tinha muito disso. Ela falava de morte de uma maneira muito leve. Ela brincava: \u2018P\u00f4, quando eu morrer, n\u00e3o vai esquecer de colocar meu travesseiro, cobertor, a meia no meu p\u00e9 e o meu pijama, que eu n\u00e3o quero passar frio, quero ficar confort\u00e1vel\u2019. Na hora a gente ria, mas quando ela morreu, todo mundo sabia o que ela queria. Foi a coisa mais linda do mundo, deu uma paz para todos que estavam ali.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Numa fria<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cMeu objetivo \u00e9 ter velhice com qualidade. E acho importante sempre conversar com voc\u00ea mesmo. Ultimamente, tenho feito pouco, mas durante a pandemia a medita\u00e7\u00e3o me ajudou demais. \u00c9 uma coisa muito \u00edntima, de autoconhecimento. Voc\u00ea come\u00e7a a ouvir o seu corpo de uma forma diferente, escuta o seu p\u00e9, seu peito, o f\u00edgado. Ouvir no sentido de perceber que est\u00e3o aqui, d\u00e1 para conversar com eles e dizer: \u2018Se acontecer alguma coisa voc\u00ea me avisa, hein?\u2019 (risos). Tamb\u00e9m tomo banho de gelo, que \u00e9 sensacional. Comecei com 30 segundos debaixo de um chuveiro. E hoje d\u00e1 para ficar tr\u00eas minutos em uma piscina de gelo. A dor \u00e9 uma mensagem tamb\u00e9m. Se n\u00e3o tivesse a dor, como a gente ia saber dos nossos problemas? Temos que respeitar. Comecei o pilates na pandemia, hoje fa\u00e7o uma prancha de 12 minutos. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o inacredit\u00e1vel, uma conversa com o corpo. Demorou um ano para eu chegar nos dez minutos. Mas foi um processo tranquilo. Tudo \u00e9 mais psicol\u00f3gico que f\u00edsico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reggae<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cComecei a tocar com o viol\u00e3o da minha av\u00f3. Ela veio da Eslov\u00eania, depois da Segunda Guerra, e cantava maravilhosamente bem. A primeira m\u00fasica que aprendi, na aula de viol\u00e3o, foi \u2018Planeta \u00e1gua\u2019, do Guilherme Arantes, ainda nos anos 80. Estou estudando chorinho agora, as baixarias, algo que sempre amei. O viol\u00e3o sempre teve paralelo ao que fa\u00e7o na guitarra el\u00e9trica. Tanto \u00e9 que tem bastante viol\u00e3o no Sepultura, no meu trabalho solo tamb\u00e9m. Toco com muita gente diferente na minha carreira. Eu amo o reggae, por exemplo, e estou namorando uma maranhense e talvez esteja sob essa influ\u00eancia (risos). Derrick (vocalista do Sepultura) tamb\u00e9m \u00e9 um grande apreciador desse som. A gente sempre teve essa ideia, uma brincadeira, de eu e ele criarmos uma banda de reggae. Mas o nome do grupo n\u00e3o vou revelar (risos).\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tudo tem limite<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cOs planos para o encerramento da banda est\u00e3o abertos, mas a gente tem um limite de 2026 para fazer o \u00faltimo show. Queremos fazer o m\u00e1ximo poss\u00edvel, celebrar tranquilo, n\u00e3o tem pressa, sabe? Vamos esticar at\u00e9 onde for poss\u00edvel. Queremos ir para a Isl\u00e2ndia, por exemplo, aonde nunca fomos. Tocar no Alasca, algo que a gente nunca conseguiu. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos morrendo mesmo. Vamos realizar nossos sonhos antes de partir dessa pra melhor. Na nossa hist\u00f3ria, visitamos quase 80 pa\u00edses, fomos para a Coreia do Sul e at\u00e9 para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a R\u00fassia, em 1992. L\u00e1 vimos uma situa\u00e7\u00e3o ainda destruidora. Vimos Litu\u00e2nia e Let\u00f4nia um pouco largadas. Hoje s\u00e3o pa\u00edses fant\u00e1sticos, n\u00e9, que cresceram daquilo. Em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico, n\u00e3o espero a mesma conex\u00e3o sempre, sou um procurador de coisas diferentes. Na pandemia, pergunt\u00e1vamos: \u2018Quando \u00e9 que vai voltar? Ah, daqui a tr\u00eas meses vamos voltar.\u2019 Mas eu pensava: \u2018Voltar para onde? Qual o passado: 1988 ou semana passada?\u2019 N\u00e3o existe volta, mano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Volta \u00e0s origens<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cA gente est\u00e1 trabalhando na possibilidade de um \u00faltimo show com participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 deles (dos irm\u00e3os Iggor e Max Cavalera, fundadores, que romperam com a banda), mas de todos que fizeram parte dela. Essa \u00e9 a ideia. Se vai rolar, a\u00ed depende de muita coisa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>(Por: Mariana Ros\u00e1rio\/OGlobo)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com shows no Rio e em SP, roqueiro diz que pensa em reunir ex-integrantes em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17019,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-17018","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17018"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17018\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17020,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17018\/revisions\/17020"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}