{"id":21582,"date":"2025-06-17T13:08:37","date_gmt":"2025-06-17T16:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=21582"},"modified":"2025-06-17T13:08:37","modified_gmt":"2025-06-17T16:08:37","slug":"acoes-afirmativas-mudaram-cara-da-universidade-no-brasil-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=21582","title":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es afirmativas mudaram \u201ccara da universidade no Brasil\u201d, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>Realidade \u00e9 mostrada em livro por Luiz Augusto Campos e M\u00e1rcia Lima<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds com 112,7 milh\u00f5es de pessoas pretas e pardas, os negros, que s\u00e3o 55,2% da popula\u00e7\u00e3o, e de 0,8% de ind\u00edgenas, mais&nbsp;1,6 milh\u00e3o, o Brasil custou a ver reconhecida, entre os rostos dos estudantes universit\u00e1rios, a sua diversidade etnorracial. Mas nos \u00faltimos 20 anos, as a\u00e7\u00f5es afirmativas mudaram o perfil da universidade brasileira para corrigir uma limita\u00e7\u00e3o e transformar positivamente os espa\u00e7os respons\u00e1veis pelo conhecimento e pela forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es, na avalia\u00e7\u00e3o dos soci\u00f3logos Luiz Augusto Campos e M\u00e1rcia Lima.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1647236&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1647236&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos e M\u00e1rcia&nbsp;s\u00e3o os organizadores do livro&nbsp;<em>&#8220;Impacto das Cotas: duas d\u00e9cadas de a\u00e7\u00e3o afirmativa no ensino superior brasileiro<\/em>&#8220;, que faz um balan\u00e7o detalhado da pol\u00edtica e aponta desafios, como a perman\u00eancia dos estudantes nas institui\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na obra, eles reuniram 35 artigos que revisam a pol\u00edtica desde os prim\u00f3rdios, quando o ent\u00e3o deputado Abdias Nascimento, em 1987, ao voltar do ex\u00edlio nos Estados Unidos, apresenta um projeto de lei para aplicar a\u00e7\u00e3o afirmativa na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/IalU67WWx3JUcu-ske-_iODwSZk=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/1099573-tnrgo_abr_112920175796.jpg?itok=Z5UkmA3A\" alt=\"Rio de Janeiro - Luiz Augusto Campos, do Grupo de Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa da UERJ, participa de evento do F\u00f3rum Permanente Pela Igualdade Racial (T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil)  \" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Luiz Augusto Campos, do Grupo de Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa da Uerj, participa de evento do F\u00f3rum Permanente Pela Igualdade Racial &#8211; Foto&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, o pa\u00eds viu um setor dominado por jovens brancos, de classes&nbsp;m\u00e9dia&nbsp;e alta, at\u00e9 o final dos anos 1990, incluir uma maioria de estudantes pretos, pardos e ind\u00edgenas, que chegaram a 52,4% dos matriculados nas universidades p\u00fablicas, em 2021, frente aos 31,5% em 2001. No mesmo per\u00edodo, a presen\u00e7a de alunos das classes D e E saltou de 20% para 52%, evidenciando a dimens\u00e3o econ\u00f4mica da mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esses avan\u00e7os s\u00e3o esmiu\u00e7ados no livro. Os pesquisadores mostram&nbsp;que a pol\u00edtica de cotas transformou um dos espa\u00e7os mais elitizados da sociedade brasileira, a universidade, democratizando seu acesso e redefinindo sua fun\u00e7\u00e3o social.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pref\u00e1cio da obra, Nilma Lino Gomes, professora e primeira mulher negra a comandar uma universidade brasileira, lembrou que a pol\u00edtica confrontou o Congresso Nacional e setores conservadores da sociedade, at\u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o da Lei 12.711, em 2012, com respaldo do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de ent\u00e3o, observou Lino, \u201celas n\u00e3o apenas ampliaram o acesso \u00e0 universidade, como provocaram mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas e curriculares, desestabilizando estruturas excludentes no sistema educacional&#8221;, afirmou a educadora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas, em especial na modalidade cotas, as institui\u00e7\u00f5es federais de educa\u00e7\u00e3o superior passaram a se posicionar mais firmemente diante das desigualdades \u2013 n\u00e3o apenas em discursos, mas em pr\u00e1ticas concretas na gest\u00e3o acad\u00eamica, nos curr\u00edculos, nas pol\u00edticas de perman\u00eancia, na cria\u00e7\u00e3o de Pr\u00f3-reitorias de A\u00e7\u00f5es Afirmativas, nos crit\u00e9rios de distribui\u00e7\u00e3o de recursos, nas normas disciplinares, na pesquisa, na extens\u00e3o, na internacionaliza\u00e7\u00e3o, no combate a viola\u00e7\u00f5es de direitos, no enfrentamento do racismo, da LGBTfobia e do machismo&#8221;, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>A<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12711.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;Lei 12.711, de 2012<\/a>, conhecida como Lei de Cotas, estabeleceu a destina\u00e7\u00e3o de metade das vagas das institui\u00e7\u00f5es de ensino federal a alunos da rede p\u00fablica, a partir do perfil etnorracial e socioecon\u00f4mico<\/strong>. A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/lei\/l14723.htm#:~:text=2%C2%BA%20A%20Lei%20n%C2%BA%2012.711%2C%20de%2029,passa%20a%20vigorar%20com%20as%20seguintes%20altera%C3%A7%C3%B5es:&amp;text=Os%20alunos%20optantes%20pela%20reserva%20de%20vagas,programas%20desenvolvidos%20nas%20institui%C3%A7%C3%B5es%20federais%20de%20ensino.%E2%80%9D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lei foi atualizada em 2023<\/a>, refor\u00e7ando a prioridade dos cotistas para receber aux\u00edlios fundamentais para a perman\u00eancia nas universidades, como bolsas e moradia, que podem ajuda-los a se manter.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro resgata&nbsp;ainda, de forma transversal, o papel da sociedade civil na ado\u00e7\u00e3o da medida. Al\u00e9m de citar Abdias, ativista dos direitos humanos, lembra&nbsp;a Marcha Zumbi dos Palmares, na d\u00e9cada de 1990, e a Confer\u00eancia Mundial das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) contra o Racismo, a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, a Xenofobia e Intoler\u00e2ncia, na \u00c1frica do Sul, em 2001. Pela \u00f3tica das universidades privadas, cita o papel de impacto do Programa Universidade para Todos (Prouni), em 2005, que concedeu&nbsp;bolsas de gradua\u00e7\u00e3o em troca de benef\u00edcios fiscais e contribuiu para a mudan\u00e7a no perfil do estudante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mitos que marcaram o in\u00edcio da pol\u00edtica, como o alegado baixo desempenho dos cotistas, que rebaixaria o n\u00edvel das universidades, tamb\u00e9m s\u00e3o retomados e refutados<\/strong>. Os textos mostram que, embora cotistas possam ingressar com notas ligeiramente menores no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), o desempenho deles \u00e9 igual ao&nbsp;dos demais alunos. A performance foi medida por notas semestrais. &#8220;Diferentes medidas mostram que cotistas e n\u00e3o cotistas tendem a ter desempenho universit\u00e1rio muito similar, bem como taxas pr\u00f3ximas de evas\u00e3o.&#8221;, afirmam Luiz Augusto e M\u00e1rcia Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m faz um mapeamento detalhado da ado\u00e7\u00e3o das cotas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que foi pioneira, na Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Estadual de Campinas&nbsp;(Unicamp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A obra \u00e9 fruto da colabora\u00e7\u00e3o entre oito centros de pesquisa espalhados pelo pa\u00eds, sob a coordena\u00e7\u00e3o do Afro Cebrap e do Grupo de Estudos Multidisciplinar da A\u00e7\u00e3o Afirmativa (Gemaa), vinculado \u00e0 Uerj&nbsp;&#8212; a primeira a adotar sistema de cotas para ingresso de estudantes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lei abaixo os principais trechos da entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;&#8211; Qual o valor da diversidade nas universidades? Por que ela \u00e9 importante? Em termos \u00e9ticos e materiais?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e1rcia Lima &#8211;<\/strong>&nbsp;Formar pessoas e produzir conhecimento s\u00e3o objetivos cruciais da universidade. Nesse sentido, a diversidade contribui de forma inequ\u00edvoca para agregar qualidade ao conhecimento cient\u00edfico. Diversidade tamb\u00e9m diz respeito \u00e0 justi\u00e7a social e equidade. Institui\u00e7\u00f5es de ensino, em especial institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, t\u00eam o dever de garantir acesso a diferentes grupos. O grande impacto das cotas \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os respons\u00e1veis pelo conhecimento e pela forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;&#8211; Em entrevista \u00e0 Folha de S. Paulo, Luiz Augusto Campos teria dito que a universidade p\u00fablica est\u00e1 &#8220;\u00e0 deriva&#8221;, sofrendo com o abandono das elites e das classes populares Isso ocorre porque o grosso da elite n\u00e3o est\u00e1 mais nas universidades p\u00fablicas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luiz Augusto Campos &#8211;<\/strong>&nbsp; Para a Folha, tentei deixar claro que \u00e9 mito a ideia de que as elites n\u00e3o dependem mais da universidade p\u00fablica. O grosso das elites brasileiras n\u00e3o t\u00eam recursos para pagar as caras universidades estrangeiras e, por isso, ainda recorrem \u00e0 universidade p\u00fablica e gratuita para obter diplomas e reproduzir seu estatuto de classe. O que mudou nesse quesito \u00e9 que essa elite n\u00e3o&nbsp;v\u00ea mais a universidade p\u00fablica como sua propriedade exclusiva, em grande medida por conta do advento das cotas e, por isso, n\u00e3o est\u00e1 mais disposta a defend\u00ea-la como antes. Ao mesmo tempo, ainda que a inclus\u00e3o tenha aumentado, a maior parte das classes populares permanece fora da universidade p\u00fablica&nbsp;que, por isso, fica sem defesa no debate pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;&#8211; Neste momento da pol\u00edtica de cotas, em que pesquisadores sugerem a\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 perman\u00eancia, diante do contingenciamento de recursos das federais, a pol\u00edtica de cotas ainda \u00e9 sustent\u00e1vel, capaz de promover mudan\u00e7as?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e1rcia Lima<\/strong>&nbsp;&#8211;&nbsp;A pol\u00edtica de perman\u00eancia [nas universidades] foi esvaziada no governo anterior e tem sido retomada &#8211; ainda que com limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias &#8211; na gest\u00e3o atual. Mesmo com esse desafio, a pol\u00edtica de cotas j\u00e1 tem promovido enorme transforma\u00e7\u00e3o no perfil discente e docente das universidades. A aus\u00eancia de investimento afeta toda e qualquer pol\u00edtica educacional. N\u00e3o seria diferente com as a\u00e7\u00f5es afirmativas. \u00c9 importante lembrar o que aconteceu nas gest\u00f5es de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Assim como em outras pol\u00edticas, coube ao atual governo recome\u00e7ar e revisar a lei. A nova lei de cotas procura avan\u00e7ar nas limita\u00e7\u00f5es identificadas no estudo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;&#8211; Por que \u00e9 necess\u00e1rio defender as cotas, diante de racismo no mercado, no qual pessoas negras ainda ganham menos e est\u00e3o em menos postos de comando?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luiz Augusto Campos &#8211;<\/strong>&nbsp;\u00c9&nbsp;falso dizer que a ascens\u00e3o social pela educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um mito. A rigor, a maior parte dos estudos de mobilidade social mostra que a ascens\u00e3o social vem, em grande medida, da educa\u00e7\u00e3o em geral e, mais especificamente, da educa\u00e7\u00e3o superior. \u00c9 claro que a expans\u00e3o do n\u00famero de pessoas com ensino superior reduz, com o tempo, o valor do diploma, mas esse estrato da popula\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pequeno no Brasil, menos por exemplo do que em pa\u00edses similares como Chile, Estados Unidos&nbsp;e Coreia do Sul. Isso n\u00e3o exclui, contudo, a persist\u00eancia do racismo no mercado de trabalho, mesmo quando olhamos as oportunidades sociais de negros diplomados. Da\u00ed a import\u00e2ncia de combinarmos a\u00e7\u00f5es afirmativas na educa\u00e7\u00e3o superior e no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;&#8211; A doutora Cida Bento, diretora do Centro de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades e uma das pensadoras sobre o racismo no Brasil, tamb\u00e9m levanta o conceito do Pacto Narc\u00edsico da Branquitude. As cotas conseguem romper esse pacto, em algum momento?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e1rcia Lima<\/strong>&nbsp;&#8211;&nbsp;A diversidade racial das universidades brasileiras, sem d\u00favida, colocou em xeque e exp\u00f4s a imensa desigualdade racial no acesso ao ensino superior. A chegada de um p\u00fablico mais diverso social e racialmente impactou o debate p\u00fablico sobre o papel da universidade, ampliou temas de pesquisa. Em algumas \u00e1reas de conhecimento vemos um questionamento crescente sobre a aus\u00eancia de autoras e autores negros. Portanto, a universidade deixou de ser um espa\u00e7o majoritariamente branco onde esse pacto era constantemente validado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;&#8211; Qual a chance de o desconforto criado pelas cotas nas universidades despertarem um debate racial real sobre o racismo na constru\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro e os benef\u00edcios e a heran\u00e7a que proporcionou \u00e0 popula\u00e7\u00e3o branca&nbsp;no Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luiz Augusto Campos &#8211;\u00a0<\/strong>As cotas j\u00e1 remodelaram o debate sobre ra\u00e7a no Brasil. Antes delas, na d\u00e9cada de 1990, o tema era um tabu. O Brasil era encarado como uma democracia racial, livre de racismo e com uma popula\u00e7\u00e3o totalmente mesti\u00e7a. Hoje, o cen\u00e1rio \u00e9 outro. O racismo \u00e9 objeto de debates e\u00a0todos os c\u00edrculos sociais e as pol\u00edticas p\u00fablicas antirracistas s\u00e3o uma realidade. Isso n\u00e3o foi suficiente, por\u00e9m, para evitar retrocesso. \u00c0 direita e \u00e0 esquerda do espectro pol\u00edtico, emergiu a cr\u00edtica ao chamado \u201cidentitarismo\u201d, conceito pouco claro, mas que vem sendo usado para limitar as conquistas recentes. A ideia de meritocracia tamb\u00e9m continua forte, seja pela valoriza\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios herdados de uma elite branca, seja pela difus\u00e3o desse discurso pelos chamados novos empreendedores. De todo modo, cabe ao futuro e \u00e0 luta pol\u00edtica determinarem se esse debate ir\u00e1 ou n\u00e3o se aprofundar.<em><strong> (EBC)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realidade \u00e9 mostrada em livro por Luiz Augusto Campos e M\u00e1rcia Lima Pa\u00eds com 112,7&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21583,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,72],"tags":[],"class_list":["post-21582","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21582"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21584,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21582\/revisions\/21584"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}