{"id":21781,"date":"2025-07-01T17:53:07","date_gmt":"2025-07-01T20:53:07","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=21781"},"modified":"2025-07-01T17:53:08","modified_gmt":"2025-07-01T20:53:08","slug":"desastres-relacionados-as-chuvas-triplicaram-no-pais-aponta-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=21781","title":{"rendered":"Desastres relacionados \u00e0s chuvas triplicaram no pa\u00eds, aponta relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><strong>Estudo coordenado pela Unifesp apresenta dados do per\u00edodo 1991-2023<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre os anos de 2020 e 2023, o Brasil passou por 7.539 desastres clim\u00e1ticos causados por chuvas intensas. O n\u00famero revela aumento de 222,8% em rela\u00e7\u00e3o aos eventos ocorridos ao longo de toda a d\u00e9cada de 1990, quando foram registradas 2.335 epis\u00f3dios dessa natureza.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1649098&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1649098&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o enxurradas, inunda\u00e7\u00f5es, temporais e deslizamentos de solo, que, desde 2020, ocorreram com mais frequ\u00eancia e intensidade.&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2025-02\/entenda-relacao-dos-impactos-climaticos-com-vida-cotidiana\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Os dados s\u00e3o do relat\u00f3rio Temporadas das \u00c1guas: O Desafio Crescente das Chuvas Extremas, segundo estudo da s\u00e9rie Brasil em Transforma\u00e7\u00e3o<\/a>, produzido pela Alian\u00e7a Brasileira pela Cultura Oce\u00e2nica e coordenado pelo Programa Mar\u00e9 de Ci\u00eancia da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o pesquisador da Unifesp Ronaldo Christofoletti, que lidera a equipe do estudo, a partir de dados consolidados de longo prazo, os resultados apresentados revelam o que j\u00e1 vem ocorrendo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA gente est\u00e1 trazendo dados do passado onde se mostra que j\u00e1 aumentou o n\u00famero desse tipo de desastres clim\u00e1ticos, principalmente nas regi\u00f5es Sudeste e Sul, onde a ci\u00eancia j\u00e1 prev\u00ea mais intensidade de chuva\u201d, disse Christofoletti.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, os dados tamb\u00e9m corroboram as proje\u00e7\u00f5es do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (PBMC), que apontam tend\u00eancia de mudan\u00e7a no regime pluviom\u00e9trico brasileiro, com aumento de 30% de chuvas nas regi\u00f5es Sul e Sudeste e redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 40%, no Norte e Nordeste, at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo, em 2100.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o, a gente come\u00e7a a ver essas altera\u00e7\u00f5es no tempo e no espa\u00e7o, e em alguns lugares vai chover muito, a ponto de causar desastres, onde muitas vezes nem esperado \u00e9. Como a gente j\u00e1 viu, e est\u00e1 vendo de novo, no Rio Grande do Sul, com muita \u00e1gua em muito pouco tempo. E depois, n\u00f3s vamos ter regi\u00f5es que j\u00e1 recebiam pouca \u00e1gua, como o sert\u00e3o, que vai passar a receber menos chuva ainda\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio detalha dados do Sistema Integrado de Informa\u00e7\u00f5es sobre Desastres (S2ID) do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Regional no per\u00edodo de 1991 a 2023. Ao longo desses 32 anos, quando \u00e9 aplicado um recorte para desastres clim\u00e1ticos causados por chuvas intensas, o n\u00famero total de tais eventos \u00e9 de 26.767.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo, 64% desses desastres foram de natureza hidrol\u00f3gica, dos quais as enxurradas foram as mais frequentes, representando mais da metade desse percentual (55%), seguida de inunda\u00e7\u00f5es, que foram 35%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desastres causados por chuvas que tiveram natureza meteorol\u00f3gica representaram 31% das mais de 26 mil ocorr\u00eancias nesse per\u00edodo. Os temporais somaram 75% desse percentual.<\/p>\n\n\n\n<p>Menos frequentes, os desastres de natureza geol\u00f3gica foram apenas 5% do total, sendo que 91% dos registros desse grupo foram casos de deslizamentos de solo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cidades<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m faz um recorte da ocorr\u00eancia desses desastres nas cidades brasileiras. No total, at\u00e9 agora, os eventos extremos associados \u00e0s precipita\u00e7\u00f5es afetaram 4.645 cidades, representando cerca de 83% dos munic\u00edpios brasileiros. Na d\u00e9cada de 90, apenas 27% desse total havia sido atingido e na primeira d\u00e9cada de 2000, 68% das cidades j\u00e1 haviam passado por algum desastre por chuva.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o desses n\u00fameros impacta de v\u00e1rias formas quem vive nas cidades afetadas, dizem pesquisadores. \u201cVamos ter impactos diretos e indiretos. Como impacto direto da chuva extrema e inunda\u00e7\u00f5es, pode haver&nbsp;perdas materiais de casas, infraestrutura, impactos na produ\u00e7\u00e3o, deslocamento de pessoas, impactos na sa\u00fade. E a\u00ed se come\u00e7a a entrar em um segundo cen\u00e1rio, que \u00e9 a perda que n\u00e3o se consegue mensurar diretamente da sa\u00fade mental&#8221;, acrescentou Christofoletti.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ana\/pt-br\/assuntos\/noticias-e-eventos\/noticias\/ana-lanca-estudo-sobre-impactos-da-mudanca-climatica-nos-recursos-hidricos-das-diferentes-regioes-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A mudan\u00e7a do regime de chuvas no pa\u00eds tamb\u00e9m aparece em um estudo da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento B\u00e1sico (ANA)<\/a>&nbsp;que aponta a diminui\u00e7\u00e3o da disponibilidade de recursos h\u00eddricos, que pode ultrapassar 40% em bacias hidrogr\u00e1ficas das regi\u00f5es Norte, Nordeste, Centro-Oeste e em parte do Sudeste, at\u00e9 2040.<\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;Christofoletti,&nbsp;as consequ\u00eancias de tais impactos pressionar\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es dessas regi\u00f5es, levando a novos fluxos migrat\u00f3rios de refugiados clim\u00e1ticos. \u201c\u00c9 aquela fam\u00edlia, aquelas pessoas que v\u00e3o perceber que ter\u00e3o que se deslocar do seu territ\u00f3rio para outro, porque n\u00e3o conseguem mais ter a vida que tinham. Seja por inseguran\u00e7a, porque \u00e9 uma \u00e1rea de muito alagamento, um morro, ou porque dependiam de uma agricultura familiar que agora n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel ali. Ent\u00e3o, a tend\u00eancia de crescimento dos refugiados clim\u00e1ticos no mundo \u00e9 muito forte\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Adapta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a especialista em solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza Juliana Baladelli Ribeiro, que integra a equipe da pesquisa, esses dados s\u00e3o um alerta para a mobiliza\u00e7\u00e3o de gestores p\u00fablicos, da iniciativa privada e de organiza\u00e7\u00f5es sociais para a implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gia sustent\u00e1vel, principalmente para centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Juliana destacou que, entre as estrat\u00e9gias complementares, \u00e9 preciso considerar uma parcela de solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, que acrescentam \u00e0s cidades resili\u00eancia e qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA gente n\u00e3o est\u00e1 dizendo que simplesmente as solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza ser\u00e3o a \u2018bala de prata\u2019, mas a gente entende que elas s\u00e3o muito importantes nesse contexto, porque \u00e9 um tipo de tecnologia que usa a infraestrutura verde, para solucionar esses problemas e traz benef\u00edcios adicionais m\u00faltiplos\u201d, explicou a especialista da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Alguns exemplos citados por Juliana s\u00e3o os jardins de chuva, parques urbanos e as lagoas artificiais como parte dos sistemas de drenagem. \u201cSe, em vez de um piscin\u00e3o de concreto, eu tenho um parque ou uma lagoa, como eu tenho aqui em Curitiba, por exemplo, o Parque Barigui. Em um dia de chuva intensa, aquele lago enche, o parque alaga, e est\u00e1 tudo bem, porque ele n\u00e3o tem nenhuma estrutura ali que vai ser severamente prejudicada.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a infraestrutura do Parque permanece dispon\u00edvel nos dias sem chuva, trazendo conforto t\u00e9rmico para a cidade, al\u00e9m de ser uma \u00e1rea de lazer, contempla\u00e7\u00e3o e para a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio, destaca a especialista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fronteiras<\/h2>\n\n\n\n<p>Ronaldo Christofoletti acrescenta que o estudo, al\u00e9m de reunir dados que servir\u00e3o como balizadores para o desenvolvimento de cidades e economias mais resilientes, traz reflex\u00f5es sobre a integra\u00e7\u00e3o de todo o planeta por meio dos diferentes biomas existentes. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre o bioma [em] que eu moro, seja Mata Atl\u00e2ntica, Amaz\u00f4nia ou Pantanal. O estudo diz, efetivamente, qual a import\u00e2ncia das regi\u00f5es polares, no caso, da Ant\u00e1rtica, para o Brasil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, as causas apontadas para a mudan\u00e7a no regime de chuvas em algumas regi\u00f5es no Brasil s\u00e3o decorrentes tamb\u00e9m da press\u00e3o do aquecimento global na regi\u00e3o polar. \u201cA altera\u00e7\u00e3o desse ciclo de chuva se d\u00e1 basicamente pelo aumento de temperatura do ar, em fun\u00e7\u00e3o dos gases do efeito estufa, somado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o na chegada das frentes frias, que, principalmente no Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, \u00e9 o que regula os per\u00edodos de chuva\u201d, concluiu<em><strong>. (EBC)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo coordenado pela Unifesp apresenta dados do per\u00edodo 1991-2023 Entre os anos de 2020 e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20053,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-21781","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21782,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21781\/revisions\/21782"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/20053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}