{"id":22566,"date":"2025-09-08T17:52:39","date_gmt":"2025-09-08T20:52:39","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=22566"},"modified":"2025-09-08T17:55:42","modified_gmt":"2025-09-08T20:55:42","slug":"dia-mundial-da-alfabetizacao-brasil-tem-29-de-analfabetismo-funcional-impacto-e-maior-entre-negros-e-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=22566","title":{"rendered":"Brasil tem 29% de analfabetismo funcional; impacto \u00e9 maior entre negros e ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><strong>No Brasil, 3 em cada 10 adultos n\u00e3o leem ou escrevem com flu\u00eancia. Problema \u00e9 mais grave entre negros, ind\u00edgenas e pessoas de baixa renda, refor\u00e7ando desigualdades sociais.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, 59,2% das crian\u00e7as matriculadas na rede p\u00fablica de ensino foram alfabetizadas na idade certa. O n\u00famero vem crescendo, mas ainda est\u00e1 longe do ideal. Para especialistas no tema,\u00a0os preju\u00edzos da alfabetiza\u00e7\u00e3o tardia v\u00e3o al\u00e9m de uma quest\u00e3o de tempo, e t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com aspectos hist\u00f3ricos, sociais e at\u00e9 raciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pa\u00eds tamb\u00e9m enfrenta um alto \u00edndice de analfabetismo funcional. Os dados mais recentes apontam que 3 em cada 10 brasileiros de 15 a 64 anos s\u00e3o analfabetos funcionais. Essas pessoas conseguem apenas ler palavras isoladas, frases curtas, ou apenas identificar n\u00fameros familiares, como contatos telef\u00f4nicos, endere\u00e7os, pre\u00e7os e etc..<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de administra\u00e7\u00e3o do Cenpec \u2014 ONG que desenvolve projetos com foco na melhoria da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2014, a alfabetiza\u00e7\u00e3o tardia ou a estagna\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de analfabetismo funcional renega direitos b\u00e1sicos e compromete o exerc\u00edcio da cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o problema alimenta exclus\u00e3o e refor\u00e7a desigualdades educacionais que atingem, principalmente, pessoas mais velhas, negras, ind\u00edgenas ou amarelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser cidad\u00e3o significa participar de diferentes inst\u00e2ncias e esferas sociais. Para isso, \u00e9 fundamental dominar as compet\u00eancias de leitura e escrita para que a pessoa possa se informar, possa participar da vida comunit\u00e1ria, possa se inserir do mundo do trabalho. Portanto, leitura e escrita s\u00e3o ferramentas essenciais para entender a realidade, atuar criticamente sobre ela, entender os seus lugares de pertencimento, entender o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Anna Helena Altenfelder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alfabetiza\u00e7\u00e3o na idade certa<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo Luciana Brites, CEO do Instituto NeuroSaber e doutoranda em dist\u00farbios do desenvolvimento, uma crian\u00e7a deve ser alfabetizada, idealmente, at\u00e9 os 8 anos de idade, quando os circuitos neurais est\u00e3o no \u00e1pice do amadurecimento.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIsso potencializa o desenvolvimento, mitiga o analfabetismo e dificuldades de leitura, e, quando associada a abordagens adequadas, \u00e9 fundamental para o desenvolvimento posterior da compreens\u00e3o leitora&#8221;, ela explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar disso, a especialista refor\u00e7a que&nbsp;uma pessoa pode ser alfabetizada em qualquer fase da vida. No entanto, a demora nesse processo pode acarretar dificuldades de coordena\u00e7\u00e3o motora, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A alfabetiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um processo social e hist\u00f3rico, \u00e9 tamb\u00e9m biol\u00f3gico, e demanda algo que \u00e9 chamado de habilidades precursoras. Isso pode ajudar ou prejudicar no desenvolvimento de outras habilidades que culminam na flu\u00eancia leitora e na alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Luciana Brites.<\/p>\n\n\n\n<p>Anna Helena Altenfelder refor\u00e7a que alfabetiza\u00e7\u00e3o tardia tamb\u00e9m pode acarretar preju\u00edzos emocionais, como desmotiva\u00e7\u00e3o, desgaste, distor\u00e7\u00e3o e desconfian\u00e7a sobre a capacidade de aprendizado, o que pode prejudicar o desenvolvimento e a aprendizagem em si.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Aprender a a escrever na idade certa \u00e9 fundamental porque possibilita que a crian\u00e7a siga na escolaridade, que ela siga acreditando em si mesma, como um ser capaz de aprender, motivada a buscar o conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Anna Helena Altenfelder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Analfabetismo funcional e desigualdades educacionais<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando o assunto \u00e9 analfabetismo funcional, o Brasil segue no mesmo patamar 2018, com 29% de analfabetos funcionais. O problema \u00e9 mais comum entre pessoas de 40 a 64 anos, e chega a atingir 51% das pessoas com 50 anos ou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), isso evidencia o \u201cefeito positivo das pol\u00edticas de inclus\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da escola para crian\u00e7as e jovens realizadas nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas\u201d, j\u00e1 que a brasileiros dentro deste recorte de idade \u201cs\u00e3o os que se beneficiaram das pol\u00edticas de inclus\u00e3o massiva da popula\u00e7\u00e3o na escola.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Este problema tamb\u00e9m tem um recorte racial. Em 2024,&nbsp;<strong>41% dos que se declararam brancos foram considerados alfabetizados consolidados<\/strong>&nbsp;(intermedi\u00e1rio ou proficiente).&nbsp;Entre os pardos e pretos, apenas 31% estavam na mesma categoria, e ainda menos (19%) amarelos e ind\u00edgenas alcan\u00e7aram os mesmos n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Anna Helena, do Cenpec, destaca que esse \u00e9 um aspecto hist\u00f3rico.<strong>&nbsp;&#8220;Nos prim\u00f3rdios do Brasil, os analfabetos eram os negros, as ind\u00edgenas, as mulheres. Pouqu\u00edssimas pessoas sabiam ler e escrever, e este privil\u00e9gio era resguardado aos homens brancos.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, essa l\u00f3gica \u00e9 perpetuada ainda hoje e refor\u00e7a as desigualdades educacionais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Quem s\u00e3o as crian\u00e7as que n\u00e3o se alfabetizam? S\u00e3o as crian\u00e7as mais pobres, as crian\u00e7as negras, ind\u00edgenas, quilombolas, crian\u00e7as com defici\u00eancia, de territ\u00f3rios da \u00e1rea rural ou da periferia de grandes centros urbanos&#8221;, ela diz.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A especialista defende que \u00e9 necess\u00e1rio garantir uma alfabetiza\u00e7\u00e3o para todos, e que s\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel inibir a produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de exclus\u00e3o que afeta uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Garantir a alfabetiza\u00e7\u00e3o de todas as crian\u00e7as na idade certa \u00e9 um passo fundamental para o enfrentamento das grandes desigualdades educacionais que h\u00e1 no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Anna Helena Altenfelder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">g1<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, 3 em cada 10 adultos n\u00e3o leem ou escrevem com flu\u00eancia. 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