{"id":3378,"date":"2022-07-11T02:44:59","date_gmt":"2022-07-11T02:44:59","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=3378"},"modified":"2022-07-11T02:45:00","modified_gmt":"2022-07-11T02:45:00","slug":"pesquisa-e-uso-da-cannabis-avancaram-no-brasil-nos-ultimos-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=3378","title":{"rendered":"Pesquisa e uso da cannabis avan\u00e7aram no Brasil nos \u00faltimos anos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><em>Tema foi debatido em semin\u00e1rio da Fiocruz e Associa\u00e7\u00e3o no RJ<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 10 anos, as pesquisas e o uso legal de cannabis medicinal aumentaram muito no Brasil. Segundo o neurocientista Sidarta Ribeiro, que \u00e9 professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o avan\u00e7o acompanha a tend\u00eancia mundial de regulamenta\u00e7\u00e3o de medicamentos feitos \u00e0 base da planta, popularmente conhecida como maconha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso acontece muito pela a\u00e7\u00e3o de familiares de pacientes, de pacientes organizados em associa\u00e7\u00f5es, isso est\u00e1 crescendo muito. S\u00e3o dezenas de milhares de pessoas que fazem tratamento medicinal com cannabis, isso n\u00e3o existia h\u00e1 10 anos atr\u00e1s. Tem um monte de gente que tem autoriza\u00e7\u00e3o para importar, que consegue comprar na farm\u00e1cia, embora seja car\u00edssimo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele participou do semin\u00e1rio internacional Cannabis amanh\u00e3: um olhar para o futuro, que ocorreu ontem (9) e hoje (10) no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), promovido pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Associa\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal (Apepi).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tradi\u00e7\u00e3o e proibi\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Para o professor, a proibi\u00e7\u00e3o da cannabis no Brasil n\u00e3o cumpriu o que prometeu &#8211; diminuir o uso recreativo da subst\u00e2ncia e a viol\u00eancia envolvida no mercado ilegal da planta &#8211; e isso est\u00e1 sendo percebido pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o se conscientizando de que foram enganadas, de que muita injusti\u00e7a foi cometida em nome dessa guerra contra a maconha e que, na verdade, se elas precisam, ou se algum familiar, algum amigo precisa dessa subst\u00e2ncia para lidar com situa\u00e7\u00f5es de vida ou morte, elas s\u00e3o capazes de romper as amarras desse difama\u00e7\u00e3o que a maconha sofreu por muitas d\u00e9cadas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m palestrante no evento, o l\u00edder indigenista e ambientalista Ailton Krenak lembra que a cannabis foi introduzida no Brasil pelos povos africanos e, depois incorporada aos rituais de alguns povos ind\u00edgenas h\u00e1 300 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente n\u00e3o pode naturalizar a ideia de que a cannabis integra o repert\u00f3rio de conhecimento dos povos origin\u00e1rios daqui da Am\u00e9rica do Sul. Ela n\u00e3o \u00e9 nativa daqui, ela veio para c\u00e1 com os povos que vieram da \u00c1frica, n\u00e9? Tem gente que acha que ela entrou pelo Caribe, pela Am\u00e9rica Central, tem outros historiadores que dizem que os povos que vieram do Benim, da \u00c1frica, levaram ela para o Maranh\u00e3o e da\u00ed ela entrou na Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Krenak destaca a import\u00e2ncia das plantas medicinais no saber tradicional dos povos origin\u00e1rios, muitas cantadas em rituais tradicionais e outras integrantes de mitos fundadores desses povos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO uso medicinal e o uso ritual\u00edstico, ele foi integrado a outras pr\u00e1ticas, assim como a jurema. A jurema \u00e9 daqui, \u00e9 nativa, os povos ind\u00edgenas do Nordeste t\u00eam os rituais da jurema e assimilaram essa planta que veio da \u00c1frica como uma planta que \u00e9 parente da jurema\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Associa\u00e7\u00e3o<\/strong><br>A advogada Margarete Brito, fundadora e diretora da Apepi, explica que a associa\u00e7\u00e3o foi criada em 2014 para ajudar familiares e pacientes que viram na cannabis medicinal uma grande melhora na qualidade de vida de pessoas com doen\u00e7as rara e neurol\u00f3gicas, como epilepsia. A fam\u00edlia dela foi a primeira a conseguir autoriza\u00e7\u00e3o judicial para plantar a maconha e extrair o \u00f3leo medicinal em casa e, depois disso, criou a Apepi para ajudar outros pacientes. Atualmente, a associa\u00e7\u00e3o fornece o \u00f3leo para quase 4 mil pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o terceiro evento que a associa\u00e7\u00e3o promove em parceria com a Fiocruz, sendo o primeiro em 2018. De acordo com Brito, os palestrantes apresentaram muitos avan\u00e7os nas pesquisas, esclarecimento m\u00e9dico e no uso da cannabis medicinal no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAt\u00e9 por relato de participantes, m\u00e9dicos, pesquisadores que est\u00e3o nessa edi\u00e7\u00e3o, dizendo o quanto o debate avan\u00e7ou. As associa\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o conseguindo plantar e abrir espa\u00e7o para pesquisa. Hoje, a Apepi tem parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e com a Unicamp, que faz a dosagem de todos os \u00f3leos. No \u00faltimo semin\u00e1rio, em 2019, isso nem existia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ela destaca a import\u00e2ncia de se amadurecer o debate em torno da maconha medicinal, at\u00e9 para baratear o acesso aos medicamentos, ainda muito caros. Para a advogada, o pre\u00e7o pode baixar com a aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei (PL) 399\/15, que regulamenta o plantio de Cannabis sativa para fins medicinais e a comercializa\u00e7\u00e3o de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta. O PL foi aprovado na comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados no m\u00eas passado, mas que teve o tr\u00e2mite novamente interrompido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAinda \u00e9 muito caro. Al\u00e9m de melhorar o acesso, voc\u00ea gera riqueza para o pa\u00eds, n\u00e9? Porque hoje existem in\u00fameras pessoas que ainda usam o produto que vem l\u00e1 de fora, pagando em d\u00f3lar. Como o Sidarta diz, \u00e9 igual voc\u00ea importar mandioca para fazer farinha.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisa<\/strong><br>O m\u00e9dico sanitarista e assessor de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Fiocruz, Valcler Rangel, explica que a Fiocruz pretende implantar a\u00e7\u00f5es para induzir a pesquisa na \u00e1rea, com o objetivo de possibilitar o uso da cannabis medicinal como um recurso para a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 formulando uma proposta de indu\u00e7\u00e3o de pesquisas e estudos amplos nessa \u00e1rea, estudos interdisciplinares, pegando no campo biol\u00f3gico, dos estudos cl\u00ednicos e tamb\u00e9m das ci\u00eancias sociais. A ideia \u00e9 induzir estudos voltados para essa quest\u00e3o do uso medicinal da cannabis, com a constitui\u00e7\u00e3o de plataformas de an\u00e1lise e a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho permanente com o pessoal das universidades e da sociedade civil, que trabalhe uma agenda combinada das institui\u00e7\u00f5es para esse enfrentamento das dificuldades do uso da cannabis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que canabinoides s\u00e3o eficazes no tratamento de doen\u00e7as neurol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos indicam parkinson, glaucoma, depress\u00e3o, autismo e epilepsia. Al\u00e9m disso, h\u00e1 evid\u00eancias da efic\u00e1cia dos canabinoides contra dores cr\u00f4nicas, em efeitos antitumorais e tamb\u00e9m contra enjoos causados pela quimioterapia, al\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o no tratamento da espasticidade causada pela esclerose m\u00faltipla.<\/p>\n\n\n\n<p>Os canabinoides tamb\u00e9m demonstraram evid\u00eancias de que s\u00e3o efetivos para o tratamento da fibromialgia, dist\u00farbios do sono, aumento do apetite e diminui\u00e7\u00e3o da perda de peso em pacientes com HIV; melhora nos sintomas de s\u00edndrome de Tourette, ansiedade e para a melhora nos sintomas de transtornos p\u00f3s-traum\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Akemi Nitahara\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tema foi debatido em semin\u00e1rio da Fiocruz e Associa\u00e7\u00e3o no RJ Nos \u00faltimos 10 anos,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3379,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-3378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3378"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3380,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3378\/revisions\/3380"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}