{"id":6795,"date":"2022-11-16T00:23:06","date_gmt":"2022-11-16T03:23:06","guid":{"rendered":"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=6795"},"modified":"2022-11-16T00:23:08","modified_gmt":"2022-11-16T03:23:08","slug":"area-de-plantio-de-arroz-e-feijao-encolheu-mais-de-30-em-16-anos-com-o-avanco-da-soja-e-do-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/?p=6795","title":{"rendered":"\u00c1rea de plantio de arroz e feij\u00e3o encolheu mais de 30% em 16 anos, com o avan\u00e7o da soja e do milho"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Gr\u00e3os que ganharam mais espa\u00e7o s\u00e3o voltados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o; trigo tamb\u00e9m come\u00e7a a ser cotado para substituir territ\u00f3rios dos dois alimentos b\u00e1sicos. Retra\u00e7\u00e3o da \u00e1rea foi acompanhada pelo aumento da produtividade, mas a colheita diminuiu.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea de plantio da tradicional dupla do prato feito brasileiro, arroz e feij\u00e3o, teve uma&nbsp;forte redu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2006, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ibge\/\">IBGE<\/a>) passou a divulgar o Levantamento Sistem\u00e1tico da Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (LSPA).<\/p>\n\n\n\n<p>Boa parte dessa \u00e1rea foi direcionada para as\u00a0culturas de soja e milho,\u00a0que, por sua vez, v\u00eam batendo\u00a0recordes de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\u00a0dois gr\u00e3os (soja e milho) s\u00e3o commodities, ou seja, mat\u00e9rias-primas para a ind\u00fastria, que s\u00e3o negociadas em bolsas de valores internacionais e\u00a0exportadas como ra\u00e7\u00e3o\u00a0para animais de cria\u00e7\u00e3o, como bois e porcos.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal compradora de gr\u00e3os \u00e9 a China, um dos pa\u00edses que ajudou a impulsionar o crescimento populacional do mundo, que chegou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/especiais.g1.globo.com\/mundo\/2022\/8-bilhoes-de-pessoas\/?_ga=2.264158089.489229181.1668427108-bd48746b-3cdd-da91-5578-f7870a538cce\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bater a marca de 8 bilh\u00f5es de pessoas neste ano.<\/a>&nbsp;O n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o chinesa, contudo, deve ser ultrapassado pela \u00cdndia, em 2023, grande compradora de \u00f3leo de soja do&nbsp;<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/brasil\">Brasil<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o&nbsp;arroz e o feij\u00e3o, produzidos em boa parte pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-a-industria-riqueza-do-brasil\/noticia\/2020\/12\/17\/de-onde-vem-o-que-eu-como-nova-geracao-da-agricultura-familiar-encara-dificuldades-para-continuar-missao-dos-pais.ghtml\">agricultura familia<\/a><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-a-industria-riqueza-do-brasil\/noticia\/2020\/12\/17\/de-onde-vem-o-que-eu-como-nova-geracao-da-agricultura-familiar-encara-dificuldades-para-continuar-missao-dos-pais.ghtml\">r<\/a>,&nbsp;s\u00e3o focados em abastecer o mercado brasileiro. Seus pre\u00e7os variam de acordo com o tamanho da produ\u00e7\u00e3o, procura e negocia\u00e7\u00f5es entre agricultores e a ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em 16 anos, a \u00e1rea de plantio de arroz caiu praticamente pela metade (-44%) no pa\u00eds, enquanto a do feij\u00e3o encolheu 32%. No mesmo per\u00edodo, a de soja quase dobrou (+86%), ao passo que o milho avan\u00e7ou 66%.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar disso,\u00a0o agricultor consegue colher, atualmente, mais arroz e feij\u00e3o por \u00e1rea do que h\u00e1 16 anos. Esse\u00a0aumento de produtividade, contudo, n\u00e3o se traduziu em um aumento das colheitas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a \u00e1rea de arroz e feij\u00e3o diminuiu?<\/h2>\n\n\n\n<p>O&nbsp;principal motivo para a redu\u00e7\u00e3o&nbsp;da \u00e1rea do arroz e do feij\u00e3o&nbsp;foi o avan\u00e7o da soja e, mais recentemente, do milho&nbsp;sobre esses territ\u00f3rios, afirmam agricultores entrevistados.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do arroz, que tem o seu polo produtor no Rio Grande do Sul, houve ainda a\u00a0substitui\u00e7\u00e3o de plantios pela pecu\u00e1ria, conta Carlo Ant\u00f4nio Schifino, associado da Cooperativa Arrozeira Palmares, em Palmares do Sul (RS).<\/p>\n\n\n\n<p>Para os produtores, tem sido mais rent\u00e1vel cultivar soja e milho pelo lucro gerado na exporta\u00e7\u00e3o, principalmente nos \u00faltimos anos, com o d\u00f3lar rodando em patamares elevados.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o faturamento da soja e do milho aumentou 355% e 310%, respectivamente, a receita com o arroz e o feij\u00e3o ficou praticamente est\u00e1vel em 16 anos\u00a0<em>(veja no infogr\u00e1fico no final da reportagem).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Schifino conta que a soja come\u00e7ou a entrar em \u00e1reas do arroz em um&nbsp;sistema de rota\u00e7\u00e3o, ou seja, que alterna as duas culturas em uma mesma terra, em \u00e9pocas diferentes. Ela favorece a nutri\u00e7\u00e3o do solo por agregar nitrog\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor\u00e9m,&nbsp;de 5 anos para c\u00e1 a soja pegou um ritmo mais forte. Ela&nbsp;deixou de ser s\u00f3 participativa&nbsp;e, hoje, algumas \u00e1reas j\u00e1 produzem mais soja do que arroz e feij\u00e3o, por exemplo\u201d, diz Schifino.<\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0trigo \u00e9 outro produto que deve entrar no jogo. Mais recentemente, ele tem sido cotado para substituir as \u00e1reas de arroz, afirma Felippe Serigati, professor e coordenador do mestrado profissional em Agroneg\u00f3cios da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/fgv\/\">FGV<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expectativa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea plantada de feij\u00e3o deve encolher mais 1,048 milh\u00e3o de hectares na pr\u00f3xima d\u00e9cada, segundo estimativa do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe). J\u00e1 a do arroz deve diminuir 1,046 milh\u00e3o de hectares.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada hectare corresponde a um pouco mais de um campo de futebol, cerca de 10.000 m\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A situa\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o \u00e9 mais cr\u00edtica por ser um gr\u00e3o muito sens\u00edvel ao clima e um cultivo com menos avan\u00e7o tecnol\u00f3gico que o arroz, diz Laercio Dal Ross, gerente da agroind\u00fastria da Cooperativa Agr\u00edcola Mista Nova Palma (Camnpal).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Caro de produzir<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de serem menos rent\u00e1veis que a soja e o milho, o&nbsp;arroz e o feij\u00e3o t\u00eam um custo de produ\u00e7\u00e3o mais elevado, diz o presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho.<\/p>\n\n\n\n<p>Para cultivar milho, um produtor do estado gasta, em m\u00e9dia, R$ 7 mil por hectare. Com a soja, esse custo chega a R$ 8 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no arroz, essa despesa pode chegar a R$ 14 mil, mostram dados da Companhia Nacional de Abastecimento (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/conab\/\">Conab<\/a>), estatal do&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ministerio-da-agricultura\/\">Minist\u00e9rio da Agricultura<\/a>, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) que gere pol\u00edticas de abastecimento interno.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o tem dados do custo de produ\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o no Rio Grande do Sul para 2022. Mas, em Taquarituba (SP), por exemplo, o gasto tem rodado a um n\u00edvel semelhante ao do arroz: R$ 14 mil. Em Ponta Grossa, no Paran\u00e1 (principal estado produtor), o valor \u00e9 menor: R$ 8,5 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Velho,\u00a0a lavoura de arroz gasta, por exemplo, muito mais com irriga\u00e7\u00e3o e m\u00e3o de obra\u00a0do que a soja. &#8220;Enquanto na lavoura de arroz eu preciso de 1 funcion\u00e1rio para cada 50 hectares, a de soja precisa de 1 funcion\u00e1rio para cada 200 hectares&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ano, o que mais pesou para os agricultores foi o&nbsp;fertilizante, cujo&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2022\/02\/28\/por-que-o-brasil-importa-fertilizante-da-russia.ghtml\">pre\u00e7o disparou no in\u00edcio do ano por causa da guerra na Ucr\u00e2nia<\/a>&nbsp;e&nbsp;\u00e9 mais usado nessas culturas do que na soja, aponta a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2022\/02\/28\/por-que-o-brasil-importa-fertilizante-da-russia.ghtml\">Por que o Brasil importa fertilizante da R\u00fassia?<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m houve&nbsp;aumentos significativos nos agrot\u00f3xicos e no \u00f3leo diesel, destaca o agricultor Jo\u00e3o Batista Camargo Gomes, ex-diretor comercial do Instituto Riograndense do Arroz (Irga).<\/p>\n\n\n\n<p>Quem produz commodities tamb\u00e9m consegue se planejar melhor, pois os pre\u00e7os s\u00e3o pr\u00e9-estabelecidos no mercado, o que n\u00e3o existe para arroz e feij\u00e3o, ressalta o presidente do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe), Marcelo L\u00fcders.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Colheitas diminu\u00edram<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de plantio foi compensada pelo&nbsp;aumento da produtividade, o que significa que, hoje, o produtor consegue colher mais arroz e feij\u00e3o por hectare do que h\u00e1 16 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs primeiras \u00e1reas de arroz abandonadas foram as de menor potencial. Hoje, h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em um n\u00famero menor de produtores e em terras mais produtivas\u201d, conta a Diretora executiva da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Arroz (Abiarroz), Andressa Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, as colheitas diminu\u00edram de 2006 para c\u00e1. A safra do arroz, por exemplo, teve uma redu\u00e7\u00e3o de 7,7% no per\u00edodo, para 10,6 milh\u00f5es de toneladas. J\u00e1 a de feij\u00e3o caiu 9,5%, para 3 milh\u00f5es de toneladas. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que, mesmo assim, n\u00e3o falta arroz e feij\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de arroz e feij\u00e3o tem sido compat\u00edvel com o consumo da popula\u00e7\u00e3o, segundo dados da Conab.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos fatores que contribuiu para certa estabilidade entre procura e demanda foi a\u00a0diminui\u00e7\u00e3o das compras dos dois gr\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2008 a 2018,&nbsp;a m\u00e9dia de consumo di\u00e1rio de feij\u00e3o por pessoa, por exemplo passou de 183 gramas para 163,2 gramas.&nbsp;No caso do arroz, essa m\u00e9dia recuou de 160,3 gramas a 131,4 gramas,&nbsp;mostra a Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o tem dados mais atuais sobre este tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante algum tempo, principalmente&nbsp;nos anos 2000, a redu\u00e7\u00e3o do consumo de arroz e feij\u00e3o esteve relacionada ao aumento do poder de compra das fam\u00edlias, fator que incentivou uma maior variedade do card\u00e1pio, lembra Nilson de Paula, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paran\u00e1 (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/universidade\/ufpr\/\">UFPR<\/a>), especializado em Seguran\u00e7a Alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 de&nbsp;falta de recursos da popula\u00e7\u00e3o para acessar alimentos,&nbsp;destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, cerca de&nbsp;metade das fam\u00edlias que deixaram de comprar arroz, feij\u00e3o,&nbsp;vegetais e frutas nos \u00faltimos tr\u00eas meses (at\u00e9 setembro)&nbsp;convivem com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2022\/09\/14\/tres-em-cada-dez-familias-brasileiras-nao-tem-acesso-suficiente-a-alimentos-e-passam-fome.ghtml\">inseguran\u00e7a alimentar<\/a>&nbsp;moderada ou grave, mostra pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais as consequ\u00eancias da redu\u00e7\u00e3o e como revert\u00ea-las?<\/h2>\n\n\n\n<p>A falta de incentivos ao plantio de arroz e feij\u00e3o traz&nbsp;riscos para a seguran\u00e7a alimentar no futuro, diz Nilson de Paula, da UFPR.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Isso porque uma diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o pode gerar aumento de pre\u00e7os e enfraquecer ainda mais as pol\u00edticas p\u00fablicas de abastecimento interno e de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, afirma o professor.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para De Paula, o governo deveria incentivar o plantio desses gr\u00e3os e incorporar uma parte para reabastecer os estoques p\u00fablicos de alimentos, que est\u00e3o esvaziados h\u00e1 mais de cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 que as reservas de alimentos sejam distribu\u00eddas para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ou vendidas a mercados quando os pre\u00e7os sobem.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros especialistas ouvidos pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a>\u00a0discordam disso e apontam que o custo de manuten\u00e7\u00e3o e pre\u00e7o m\u00ednimo s\u00e3o desafios para essa pol\u00edtica p\u00fablica.<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2022\/09\/26\/entenda-se-estoque-de-alimentos-pode-baratear-a-comida-especialistas-divergem.ghtml\">\u00a0Confira aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para Serigati, da FGV, a&nbsp;garantia da seguran\u00e7a alimentar est\u00e1 mais relacionada \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda. \u201cO importante n\u00e3o \u00e9 que a economia produza A ou B, mas sim renda. Pa\u00edses europeus, como&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/dinamarca\/\">Dinamarca<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/holanda\/\">Holanda<\/a>, n\u00e3o produzem tanto, mas t\u00eam renda para comprar alimentos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>De Paula concorda que \u00e9 preciso ter pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda, mas entende que abrir m\u00e3o de estimular a produ\u00e7\u00e3o de alimentos b\u00e1sicos\u00a0pode gerar uma crise de abastecimento e depend\u00eancia de importa\u00e7\u00e3o\u00a0\u2013 o que, para ele, n\u00e3o seria bom em momentos de fechamento de fronteiras, como visto durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMesmo que voc\u00ea tenha a distribui\u00e7\u00e3o de renda, ficar\u00edamos mais dependentes da varia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar&#8221;, diz. Para ele, nesse caso, quando o d\u00f3lar tivesse uma alta, o arroz tamb\u00e9m encareceria, o que foi visto em&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2020\/09\/09\/arroz-e-oleo-mais-caros-entenda-por-que-a-inflacao-dos-alimentos-disparou-no-pais.ghtml\">2020<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2021\/03\/23\/entenda-por-que-o-arroz-continua-caro-mesmo-com-a-queda-na-inflacao-mensal.ghtml\">2021<\/a>, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil j\u00e1 importa um pouco de arroz dos parceiros do\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/mercosul\/\">Mercosul<\/a>\u00a0(<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/argentina\/\">Argentina<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/paraguai\/\">Paraguai<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/uruguai\/\">Uruguai<\/a>), mas o feij\u00e3o carioca, por exemplo, s\u00f3 \u00e9 produzido aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas entrevistados sugerem diferentes solu\u00e7\u00f5es para manter agricultores nas lavouras de arroz e feij\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) Incentivo p\u00fablico para aumentar a \u00e1rea plantada:\u00a0<\/strong>isso pode ser feito por meio dos estoques p\u00fablicos, sugere o ex-diretor de pol\u00edtica agr\u00edcola da Conab (2003 a 2013) Silvio Porto, que \u00e9 professor da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo Baiano (UFRB).<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica que um dos mecanismos para abastecer os estoques \u00e9 a Pol\u00edtica de Garantia de Pre\u00e7os M\u00ednimos (PGPM).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDentro da PGPM, tem um instrumento chamado &#8216;Contrato de Op\u00e7\u00e3o de Venda&#8217;. O governo pode lan\u00e7ar esses contratos para a pr\u00f3xima safra, sinalizando que quer formar, por exemplo, um estoque de 1,5 milh\u00e3o de toneladas de arroz e que, para isso, vai pagar um valor atrativo e compensador que a soja para o agricultor&#8221;, afirma Porto.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa sinaliza\u00e7\u00e3o, diz ele,&nbsp;tende a incentivar os produtores a aumentar o plantio sabendo que a venda de parte da safra j\u00e1 estaria garantida.&nbsp;Isso os ajudaria a se manter na cultura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) Est\u00edmulo \u00e0 agricultura familiar:&nbsp;<\/strong>como este grupo \u00e9 focado em produzir alimentos que v\u00e3o direto para a mesa das pessoas, Nilton de Paula, da UFPR, diz que \u00e9 preciso que o governo aumente investimentos em programas que interfiram diretamente neste setor, como o Alimenta Brasil (antigo Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos, o PAA) e a merenda escolar, representada pelo Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) Apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes:\u00a0<\/strong>para o produtor de arroz Jo\u00e3o Batista Camargo Gomes, \u00e9 necess\u00e1rio que o\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2022\/04\/11\/o-que-voce-precisa-saber-sobre-fertilizantes.ghtml\">Brasil diminua a sua depend\u00eancia externa da compra de fertilizantes<\/a>. \u201cPoderia haver incentivos p\u00fablicos para as empresas nacionais fabricarem esses insumos\u201d, afirma. \u201cN\u00f3s sentimos muito a depend\u00eancia de outros mercados neste ano, com o conflito na Ucr\u00e2nia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4) Reforma tribut\u00e1ria:<\/strong>&nbsp;com a incid\u00eancia da al\u00edquota de ICMS, o arroz produzido no Rio Grande do Sul acaba chegando mais caro em outros estados do pa\u00eds, que, por sua vez, podem importar o cereal do Mercosul com al\u00edquota zero, explica a diretora executiva da Abiarroz, Andressa Silva. Para ela, \u00e9 preciso, portanto, de uma reforma tribut\u00e1ria que amenize a carga de tributos e acabe com a guerra fiscal entre os estados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5) Abertura de mercados:<\/strong>\u00a0j\u00e1 para o produtor de arroz Carlo Ant\u00f4nio Schifino, os agricultores precisam abrir mercados em outros pa\u00edses para aumentar as op\u00e7\u00f5es de rentabiliza\u00e7\u00e3o. \u201cO Brasil teria que criar esse vi\u00e9s como alguns pa\u00edses, como Mexico e Peru, que j\u00e1 importam [arroz] da gente&#8221;. <strong><em>(G1)<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"313\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/atitudenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/0111-rendimento-arroz-feijao-g1final-313x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6796\" srcset=\"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/0111-rendimento-arroz-feijao-g1final-313x1024.webp 313w, https:\/\/atitudenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/0111-rendimento-arroz-feijao-g1final-92x300.webp 92w, https:\/\/atitudenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/0111-rendimento-arroz-feijao-g1final-768x2516.webp 768w, https:\/\/atitudenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/0111-rendimento-arroz-feijao-g1final-469x1536.webp 469w, https:\/\/atitudenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/0111-rendimento-arroz-feijao-g1final-585x1916.webp 585w, https:\/\/atitudenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/0111-rendimento-arroz-feijao-g1final-scaled.webp 782w\" sizes=\"(max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><figcaption>Confira a trajet\u00f3ria do arroz e feij\u00e3o ao longo dos anos. Cada hectare corresponde a um pouco mais de um campo de futebol, cerca de 10.000 m\u00b2. \u2014 Foto: Arte\/g1<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gr\u00e3os que ganharam mais espa\u00e7o s\u00e3o voltados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o; trigo tamb\u00e9m come\u00e7a a ser cotado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6797,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"class_list":["post-6795","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agronegocios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6795"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6798,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6795\/revisions\/6798"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atitudenoticias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}