O Brasil é o maior produtor e exportador do mundo e o segundo maior consumidor da bebida

Embora a safra brasileira grãos deva apresentar em 2024 uma queda de 2,8%, somando 306,5 milhões de toneladas, conforme Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE na quinta-feira (11), o café não se encaixa nessa retração. Pelo contrário. A tão adorada bebida de todas as horas deve continuar presente no cotidiano do brasileiro e a expectativa é de que seu consumo aumente, com maiores produções e mais diversidade de grãos.
Conforme o Ministério da Agricultura, o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo e o segundo maior consumidor da bebida, atrás dos EUA. E a Bahia não fica atrás: está entre os quatro maiores produtores do país.
A pesquisa aponta que a produção total de café do Brasil em 2024 foi estimada em 60,2 milhões de sacas de 60 kg, alta de 5,6% em relação a 2023. Os avanços são observados nas safras de grãos arábicas e canéforas. Já no território baiano, a produção movimenta R$2,4 milhões na economia, ou seja, 5,7% do valor total gerado, conforme a Central Nacional de Abastecimento (Conab). Em 2023, a cafeicultura no estado produziu 3,6 milhões de sacas beneficiadas, ocupando 98 mil hectares.
Para este ano, a expectativa baiana é que a produção seja ainda maior. O estado deve crescer em 2024 cerca de 6,4% na produção total de café, com 3,6 milhões de sacas previstas até setembro, ou seja, tendo ainda três meses para ultrapassar o produzido ano passado. Do total de sacas previstas neste ano, 1,2 milhão devem ser café arábica e 2,3 milhões de café conilon. A boa previsão tem a ver com melhorias tecnológicas. No quesito produção, o Sudeste responde por 41,8% do total nacional, enquanto a região Nordeste por 26,9%, a região Sul por 14,7%, a região Norte por 8,6% e a Centro-Oeste por 8,0%.
A projeção positiva anima produtores e consumidores. Segundo eles, o avanço da produção e consolidação do consumo se desdobram em mais vendas, empregos, receitas para as famílias produtoras e também em mais variedades de sabores e valores diferenciados para quem compra. Por isso, para quem está imerso no universo do cafezinho, motivos não faltam para comemorar no domingo (14) e em outras datas também estão no calendário, como o Dia Nacional em 24 de maio.
De acordo com o pequeno produtor de café da Chapada Diamantina, Charles Eduardo Albuquerque, espera-se êxito na região Planalto, que se caracteriza pelas áreas de maior altitude e clima ameno. “Temos uma grande parte da sociedade que está procurando beber café de qualidade. Sem misturas. E aqui, chamada de região Planalto, tudo favorece o desenvolvimento do grão de maior qualidade”, afirma. No Planalto, as lavouras estão divididas em três microrregiões: Chapada Diamantina, Vitória da Conquista e Brejões.
Estudioso do tema, ele explica que foi a partir da década de 70 que a cafeicultura surgiu na Bahia. Atualmente, há três regiões produtoras consolidadas: Planalto (café arábica), Oeste (café arábica) e Litorânea (café robusta). Conforme Albuquerque, a a produção, uma boa parte, ainda segue característica do agronegócio com emprego da tecnologia disponível no mercado agrícola. No entanto, acredita que há um crescimento da agricultura familiar.
“Tem colheitas manuais, irrigação manual, menos mecânico”, destaca.
Brasil exportou 39,2 milhões de sacas de 60 quilos em 2023
Em questão de exportação, foram 39,2 milhões de sacas de 60 quilos de café em 2023 para 152 países – 1,3% a menos na comparação com o ano anterior –, segundo dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a redução da exportação em 2023 foi influenciada pela restrição dos estoques no início do ano, após as adversidades climáticas que limitaram a produção nacional nas safras 2021 e 2022.
Este ano, no entanto, a situação deve melhorar. Segundo Carlos Barradas, técnico e diretor do LSPA – produtor do relatório divulgado pelo IBGE – além de estar em bienalidade positiva, o clima ajudou bastante a produção. A produção das duas espécies de café (arábica e canephora) deve somar 3,6 milhões de toneladas, um crescimento de 1,4% em relação ao estimado em fevereiro e de 5,6% na comparação com o produzido em 2023.
A posição de segundo maior consumidor de café do mundo está mantida pelo Brasil. O consumo per capita no país, entre novembro de 2022 a outubro de 2023, foi de 6,40 kg por ano de café cru e 5,12 kg por ano de café torrado e moído, um crescimento de 7,47% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que é justificado pela base populacional do IBGE.
(Tribuna da Bahia)