Home Copa do Mundo Líder de extrema direita da Hungria causa primeiro incidente diplomático da Copa do Qatar

Líder de extrema direita da Hungria causa primeiro incidente diplomático da Copa do Qatar

por Atitude Notícias
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Premiê irrita Ucrânia e Romênia ao ostentar cachecol com mapa da ‘Grande Hungria’, exibindo a configuração do país antes da Primeira Guerra Mundial, e é pressionado a pedir desculpas.

Embora a seleção nacional não esteja na Copa do Mundo, o premiê-criador-de-casos da Hungria, Viktor Orbán, se deixou fotografar usando um cachecol esportivo com o desenho do mapa do país em sua configuração do período anterior à Primeira Guerra Mundial.

A chamada “Grande Hungria” englobava partes de seus vizinhos contemporâneos UcrâniaÁustriaEslováquiaRomêniaCroácia e Sérvia.

A imagem aparentemente casual do encontro entre o primeiro-ministro ultranacionalista com um jogador de futebol da seleção húngara, se deu no domingo, durante um amistoso com a Grécia, em Budapeste, quase ao mesmo tempo em que a Copa do Mundo começava em Doha, no Qatar.

O cachecol de Orbán passou uma mensagem subliminar que irritou, sobretudo, Ucrânia e Romênia. Ambos os países protestaram contra o que chamaram de manifestação revisionista de Orbán e acionaram seus embaixadores em Budapeste.

A Hungria integrava o Império Austro-Húngaro e amargou perdas de boa parte de seu território após a derrota na Primeira Guerra. Assinado em junho de 1920, o Tratado de Trianon restabeleceu as novas fronteiras do país, que de 325 mil quilômetros quadrados foi reduzido a 93 mil quilômetros quadrados.

Pressionado a pedir desculpas, Orbán desdenhou a polêmica. “Futebol não é política. Não leiam coisas que não estão lá. A seleção húngara pertence a todos os húngaros, onde quer que vivam!”, postou o premiê em sua conta no Facebook. Ele se referia aos 2 milhões de conterrâneos que moram nos países vizinhos, dos quais 1,2 milhão na Romênia e 150 mil na Ucrânia.

Orbán costuma exercer com afinco a arte da provocação e consegue chocar seus desafetos. Num discurso, em julho passado, defendeu a pureza étnica para o futuro do país e idealizou “uma raça húngara sem misturas”, assegurando: “Nós, húngaros, não somos mestiços e não queremos nos tornar mestiços.”

Tradicional aliado de Vladimir Putin, Orbán foi praticamente forçado, pelos parceiros da União Europeia, a condenar a invasão da Rússia na Ucrânia. Opôs-se às sanções aplicadas pelo bloco, mas, visivelmente a contragosto, votou a favor delas.

Em nova bravata, ele antecipou que não apoiará o pacote bilionário de assistência à Ucrânia, previsto no orçamento da UE do próximo ano, e que não está disposto a pôr os interesses do povo ucraniano acima de seu próprio país.

Como provavelmente, mais uma vez, a decisão lhe será imposta goela abaixo, resta a Orbán lançar mão da provocação sistemática. Ostentar um cachecol com o mapa da gloriosa Hungria durante a Copa do Mundo faz parte de seu show.

(Por: Sandra Cohen)

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