Tricampeão mundial com a seleção brasileira estava internado havia um mês para tratamento de um câncer no cólon e faleceu nesta quinta-feira, aos 82 anos. Velório será aberto ao público, na Vila Belmiro, na próxima segunda (2) as 10h

Maior jogador da história do futebol brasileiro e considerado uma lenda em todo o mundo, Edson Arantes do Nascimento, o ‘Pelé’, faleceu na tarde desta quinta-feira, 29. O Rei estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratar de um câncer e de uma infecção respiratória e vinha apresentando piora no quadro de saúde.
Pelé é considerado um dos maiores atletas de todos os tempos. Revelado pelas categorias de base do Santos, onde conquistou 45 títulos, o Rei do Futebol foi campeão de seis edições do Campeonato Brasileiro, além de duas Copas Libertadores da América e duas conquistas equivalentes ao Mundial de Clubes da Fifa.
Pela Seleção, Pelé esteve presente nas três das cinco edições das Copas do Mundo vencidas pelo Brasil. Em 1958, ainda menino, o craque foi fundamental na primeira conquista internacional, encerrando o ciclo de sofrimento causado pela derrota em casa para o Uruguai em 1950.

Em 1962, Pelé acabou se machucando no início do torneio, que teve novamente a seleção brasileira como vencedor. Após o fracasso de 1966, o Rei brilhou junto com as imagens de TV na Copa de 1970, garantindo o terceiro título mundial do Brasil de forma incontestável, encerrando a participação em Mundiais com a camisa verde e amarela.
A lista de prêmios individuais de Pelé é praticamente interminável. O Rei foi eleito melhor jogador da Copa do Mundo em 1962 e em 1970, e maior goleador de várias edições de Libertadores e Campeonatos Brasileiros. No dia 13 de janeiro de 2014, o ex-jogador foi justamente homenageado pela Fifa com a entrega da Bola de Ouro, premiação dada ao melhor jogador de cada temporada.
Em 2015, a revista France Football, representante da Bola de Ouro, reconheceu que Pelé teria sido considerado pelos padrões de avaliação atuais como o melhor do mundo em sete temporadas; 1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1965 e 1970.

Ao longo da brilhante carreira como jogador de futebol, Pelé participou de 1.364 jogos e marcou 1.282 gols. Pela seleção brasileira, o Rei balançou as redes em 95 oportunidades, nas 113 partidas disputadas.
De acordo com os números oficiais, no entanto, o craque brasileiro marcou 77 gols com a camisa verde e amarela. A estatística é considerada pela Fifa. A entidade máxima do futebol reconhece apenas os gols feitos em competições oficiais. Na época, jogos amistosos eram realizados com bastante frequência.
Pelé manteve o recorde de gols da seleção brasileira por 60 anos. Na Copa do Mundo do Catar, quando o Brasil foi eliminado para a Croácia nas quartas de final, Neymar chegou aos 77 gols e alcançou a marca do Rei.
Desde que se aposentou, em 1977, Pelé é comparado com todos os grandes craques que apareceram no futebol. Longe dos gramados, o Rei viveu uma inevitável relação com o craque argentino Diego Maradona. Mesmo internado, o brasileiro fez questão de lembrar do amigo após a conquista da Copa do Mundo da Argentina no Catar. “Certamente Diego está sorrindo agora”, disse em publicação no Instagram.

Depois de Pelé, o futebol brasileiro voltou a sorrir com craques como Zico, Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, todos com grande influência nos resultados esportivos, mas nenhum outro jamais foi chamado de rei. Pelé deixa o mundo estando numa prateleira única do esporte, mesmo depois de 45 anos da aposentadoria.

Sem as chuteiras, tornou-se um astro internacional, foi astro de cinema, gravou discos e emprestou sua imagem para vender uma infinidade de produtos, o maior garoto-propaganda tupiniquim. Teve uma vida atribulada, com polêmicas que vez ou outra o fizeram de vidraça. Ganhou fama de pé-frio, com seus palpites de pontaria que não poderia ser comparada, nem de longe, à de seus chutes.
Nos últimos anos, a casca dura de herói imbatível foi afinando com os seguidos problemas de saúde que mostravam a todos que Pelé era um ser humano – pois é, acredite. Em 2012, passou por uma cirurgia para corrigir um desgaste no quadril que lhe tirou parte do fêmur, afetado pelas imparáveis arrancadas nos anos de gramado. Em 2014, outro susto: foi internado para uma cirurgia de retirada de cálculos renais e, duas semanas depois, voltou ao hospital para tratar uma infecção urinária. Um ano depois, passou por uma cirurgia na coluna. Em 2019, voltou a sofrer com problemas urinários e foi internado – primeiro em Paris, depois em São Paulo.



Velório de Pelé será realizado na Vila Belmiro
Cerimônia aberta ao público terá início às 10h da próxima segunda (2)
O Santos informou no início da noite desta quinta-feira (29) que o velório aberto ao público de Pelé será realizado no Estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, a partir das 10h (horário de Brasília) da próxima segunda-feira (2).
“O corpo seguirá do Hospital Albert Einstein direto para o estádio na madrugada de segunda-feira (2) e o caixão será posicionado no centro do gramado”, diz a nota do Peixe. Segundo o Santos, o acesso de populares ao velório será feito pelos portões 2 e 3, enquanto as autoridades terão acesso pelo portão 10.
A cerimônia seguirá até as 10h de terça-feira (3), quando será realizado o cortejo pelas ruas de Santos, que passará pelo Canal 6, onde mora a mãe de Pelé, dona Celeste, seguindo até a Memorial Necrópole Ecumênica, para o sepultamento reservado aos familiares.