A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que tem criticado essa tendência, mas não consegue impedir a politização de sacerdotes.

Manifestações políticas de padres e bispos nesta eleição têm causado mal-estar na Igreja Católica, contrariando a tradicional orientação ao clero para evitar o proselitismo político. Enquanto cresce o número de religiosos católicos manifestando apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Jair Bolsonaro (PL), a cúpula da Igreja no país sobe o tom contra o uso político da religião.
A diretriz da Igreja para os padres tem sido a de não pedir votos dentro ou fora dos templos, mas defender valores caros aos católicos, como o combate à pobreza, a oposição à legalização do aborto e a defesa da democracia. No entanto, é com base nesses valores que muitos justificam tomar partido de um dos candidatos.
O uso da religião na eleição aflige a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que tem criticado essa tendência, mas não consegue impedir a politização de sacerdotes. A preocupação aumentou após a tumultuada visita de Bolsonaro a Aparecida (SP), na semana passada.
A tática de trazer o debate da disputa presidencial para o campo religioso foi iniciada por Bolsonaro e, depois de alguma resistência, abraçada pela campanha de Lula no intuito de contrapor acusações como a de que fecharia igrejas e perseguiria sacerdotes. Com isso, uma série de religiosos católicos se juntaram a pastores evangélicos na disputa política, atuando nos dois lados.
‘Não é justo’, diz cardeal
O arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, nomeado cardeal em agosto pelo Papa Francisco, critica manifestação de voto por parte do clero:
“Não é tarefa de bispos e padres. Nossa tarefa é estimular as pessoas a votarem. Não é conveniente nem justo usar a religião como estão usando, não só entre católicos, mas também em outras igrejas. É ruim colocar a religião em jogo para defender candidatura, não pode ser usada para isso”.
(G1 – Foto: Romildo de Jesus)