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Novo celular aumenta tensão entre EUA e China

por Atitude Notícias
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Guerra dos Chips:  Washington e Pequim disputam liderança da tecnologia 5G

O lançamento de um novo aparelho celular aumentou as tensões entre os Estados Unidos e a China nesta semana. As duas maiores potências mundiais estão em uma espécie de guerra fria pelo controle da nova fronteira tecnológica aberta pelo 5G e que inclui, entre outras coisas, a inteligência artificial, a internet das coisas e o acesso da dados e segredos civis, militares e industriais. E os dados, como dizem os especialistas, são o petróleo do futuro.

O Huawei Mate 60 Pro é o novo celular top de linha da fabricante chinesa, e foi anunciado com funcionalidades que só são possíveis se for equipado com um chip tecnologicamente avançado. Até aí não seria nada demais se a disputa fosse apenas comercial e envolvendo o mercado de aparelhos de telefonia móvel. Mas não é só isso.

Já há alguns anos, a Huawei desponta como líder no fornecimento da infraestrutura para a construção e operações de redes 5G, é quem mais possui patentes na área e desbancou empresas americanas em contratos com empresas e países na Europa, Ásia, África e América Latina. Sob a liderança do ex-presidente Donald Trump, os Estado Unidos baniram a Huawei e passaram a pressionar aliados a fazerem o mesmo, principalmente na Europa Ocidental. O Reino Unido aderiu a política americana e também baniu a chinesa. O Brasil ao licitar o 5G durante o governo Bolsonaro, adotou um modelo que excluiu a empresa da licitação. A Huawei contudo ainda pode vender seus equipamentos de infraestrutura para as operadoras que atuam no mercado brasileiro.

O argumento de convencimento americano se baseia na acusação de espionagem. De que entregar o 5G à Huawei significava ficar à mercê de Pequim, que, a distância, teria acesso aos dados e poderia controlar plantas industriais e sistemas militares, além de atividades cotidianas como o trânsito. Isso porque a tecnologia possibilita a conectividade de várias cadeias por meio da internet das coisas (Internet os Things, ou IoT em inglês). Em um futuro próximo, todas as etapas de produção de uma planta industrial estarão conectadas a máquinas inteligentes, controladas por sistemas de informática, o mesmo vai se dar com a defesa do espaço aéreo de uma nação ou o controle viário do tráfego em que imperam veículos com direção autônoma.

Entre as medidas adotadas por Washington está a proibição de venda de chips 5G para a China, uma tecnologia que ainda não seria dominada pelo dragão asiático. Essa proibição, inclusive, tem servido de justificativa para o aumento do apoio dos Estados Unidos a Taiwan, uma ilha que se declarou independente da China após a Revolução Comunista de Mao Tsé-Tung. É de Taiwan que sai a maioria dos chips que são consumidos em todo o mundo.

Mudança

Por isso, o 60 Mate Pro intrigou tanto o governo americano. Autoridades em Washington estão buscando mais informações sobre o aparelho. Na estratégia comercial que adotou, a Huawei restringiu a venda do aparelho apenas à própria China e não informou que chip utiliza. Supostamente, trata-se do processador 5G Kirin 9000s, desenvolvido especificamente para a fabricante. Os americanos querem descobrir se a empresa desenvolveu a tecnologia para produção de chips ou se algum fornecedor internacional burlou as determinações americanas.

Na semana passada, a empresa de consultoria TechInsights analisou o Mate 60 para ver mais de perto o chip, que parecia ser um processador de 7 nanômetros fabricado pela Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC) da China. A SMIC, que é uma empresa chinesa parcialmente estatal, foi incluída nas restrições à exportação estabelecidas pelo governo dos EUA há vários anos.

Segundo a CNN, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, disse durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca na terça-feira (5) que os EUA precisam de “mais informações sobre seu caráter e composição” para determinar se as partes contornaram as restrições americanas às exportações de semicondutores. A reportagem lembrou que, em 2019, a Casa Branca proibiu as empresas norte-americanas de venderem software e equipamentos à Huawei e restringiu os fabricantes internacionais de chips que utilizam tecnologia fabricada nos EUA de estabelecerem parcerias com a empresa. Sullivan, acrescentou que os Estados Unidos “deveriam continuar no seu curso, com um conjunto de restrições tecnológicas, focados estritamente nas preocupações de segurança nacional”.

Uma outra possibilidade avaliada é que a China tenha desenvolvido a tecnologia para fabricar os chamados chiplets, um artefato projetado para reduzir tempo e custo de produção de chips e que pode acabar com a dependência de chips produzidos em outros países. A tecnologia foi comprada pela startup chinesa Chipuller. Pouco mencionados antes de 2021, os chiplets ganharam maior fama nos últimos anos e são citados em documentos oficiais da China, sendo classificados como “tecnologia chave e de ponta”.

Os chiplets já estão sendo usados pela Huawei em outras aplicações, a exemplo de inteligência artificial e carros autônomos. O exército chinês também já faz uso dessa tecnologia.

Mercado

Apesar de toda a preocupação americana em torno do acesso da China a chips, há quem acredite que a “guerra” na verdade é estritamente comercial.

A Huawei tem planos de ser a maior fabricante mundial de telefones celulares e anunciou seu novo aparelho como uma “revolução”. A estratégia de vender seu recente lançamento apenas na China é para garantir uma reserva de mercado frente ao iPhone 15, previsto para ser lançado pela americana Apple no próximo dia 12. Os lotes do Mate 60 Pro colocados em pré-venda já se esgotaram nas principais lojas chinesas.

Some-se a isso, o fato de o governo chinês ter recentemente proibido o uso dos aparelhos da companhia americana por funcionários públicos da administração do país. Após a notícia ser divulgada nos Estados Unidos pelo The Wall Street Journal, as ações da Apple caíram 3,6% ontem, fechando a US$ 182,91 em Nova York. Foi a maior queda diária em um mês. Antes de quarta-feira, a Apple havia subido 46% este ano.

Nas redes sociais, o lançamento da Huawei tem sido bastante festejado pelos consumidores locais. E o tom dos comentários é de ufanismo. Um trabalhador assalariado, identificado como Long, morador de Pequim, escreveu: “agora é um presente mais ‘apresentável’ do que o iPhone, e as pessoas que o usam se sentem orgulhosas de seu país”. Procurada pela CNN, a fabricante chinesa não se pronunciou. (Correio24hs)

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