Novo pedido será enviado à Assembleia Legislativa da Bahia e amplia sequência de empréstimos recordes na gestão Jerônimo Rodrigues, levantando preocupações sobre o impacto nas contas públicas e no futuro financeiro do estado.

O Governo da Bahia anunciou que enviará à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) mais um pedido de empréstimo, no valor de R$ 5,5 bilhões. A quantia será destinada a obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário feitas pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Com a nova solicitação, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) chegará ao 24° pedido de empréstimo do mandato.
De acordo com comunicado enviado pelo governo à imprensa, para garantir o empréstimo de mais de R$ 5 bilhões e a execução das obras, o Governo Federal terá a contragarantia do Governo do Estado, uma vez que os recursos serão contratados pela própria Embasa, que também é responsável pelo pagamento dos financiamentos.
Até o ano passado, os valores dos pedidos de empréstimos feitos pelo governador chegavam a R$ 26,7 bilhões. O valor supera as solicitações feitas pelos três últimos antecessores do petista. Algumas das sessões da Alba que analisaram os pedidos foram marcadas por obstruções de mais de 15 horas, com a oposição sendo contrária a aprovação.
Segundo o governo, a Embasa teve 42 projetos selecionados no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) 2025, sendo que cinco primeiros contratos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 662 milhões já foram assinados. O projeto de lei com o novo pedido de empréstimo deverá ser enviado à Alba ainda nesta semana.
OPINIÃO DO REDATOR
O anúncio de mais um pedido de empréstimo por parte do governador Jerônimo Rodrigues acende um alerta que não pode ser ignorado. Chegar ao 24º pedido de financiamento em tão pouco tempo de gestão não é apenas um número — é um sinal claro de um modelo administrativo cada vez mais dependente de endividamento.
Embora investimentos em áreas essenciais como água e saneamento, executados pela Embasa, sejam importantes, o caminho escolhido levanta preocupações legítimas. Afinal, quem paga essa conta é o próprio Estado, direta ou indiretamente, comprometendo recursos futuros que poderiam ser aplicados em saúde, educação e segurança.
O mais preocupante é o histórico: nunca antes na Bahia houve um volume tão elevado de pedidos de empréstimos em um único mandato. O montante já solicitado ultrapassa, com folga, o que foi buscado por governos anteriores, o que evidencia uma escalada sem precedentes no endividamento público estadual.
Outro ponto crítico é o impacto a longo prazo. Empréstimos sucessivos podem até viabilizar obras no presente, mas criam uma pressão financeira crescente para os próximos anos, limitando a capacidade de investimento e deixando o Estado mais vulnerável a crises econômicas.
Além disso, o fato de algumas sessões da Assembleia Legislativa da Bahia terem sido marcadas por longas obstruções mostra que há, sim, resistência e preocupação dentro do próprio ambiente político — o que reforça a necessidade de mais transparência e debate aprofundado.
Investir é necessário, mas o excesso de empréstimos pode se transformar em uma armadilha fiscal. O desenvolvimento sustentável de um estado não pode depender, de forma recorrente, de dívidas bilionárias. É preciso equilíbrio, planejamento e, principalmente, responsabilidade com o futuro da Bahia.
(Por: Ailton Pimentel)

