Um dos expoentes do PT na Bahia e integrante da ala histórica do partido no estado, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli foi punido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a restituir, de forma solidária, R$ 251,4 milhões aos cofres da estatal, junto com outras 18 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento em fraudes e desvios nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Entre os quais, ex-diretores da Petrobras e empreiteiros condenados no âmbito da Lava Jato. Em decisão publicada na última sexta, os ministros do TCU consideraram Gabrielli responsável por irregularidades no contrato de construção do pipe rack do Comperj, firmado em 2011 no valor de R$ 1,86 bilhão.

Para os membros do TCU, Gabrielli aprovou a contratação direta – ou seja, sem processo licitatório – mesmo com sobrepreço e foi conivente ou negligente com atos ilegais praticados por dirigentes da Petrobras. O que possibilitou o superfaturamento da obra em mais de R$ 200 milhões.
Segundo o acórdão do tribunal, o ex-presidente da estatal e os demais punidos pelos desvios no Comperj terão 15 dias para apresentar defesa ou pagar a quantia, com correção monetária contada a partir de 19 de abril de 2014. A negociata que beneficiou empresas do chamado “cartel da Lava Jato” foi chancelada cerca de um ano antes de Gabrielli deixar a Petrobras para assumir, em 9 de março de 2012, a Secretaria de Planejamento no governo do estado. À época, o petista cobiçava a vaga de candidato do partido na corrida para suceder o então governador Jaques Wagner, mas acabou preterido na disputa.
(Por: Jairo Costa Júnior – Foto: Adriano Machado)